O mercado imobiliário brasileiro segue mostrando resistência mesmo diante da taxa Selic em 14,5%. O principal responsável por esse desempenho continua sendo o Programa Minha Casa Minha Vida (MCMV), que respondeu por praticamente metade das vendas residenciais no país no primeiro trimestre de 2026.
Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (25) pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), com base em levantamento realizado em 221 cidades brasileiras.
Segundo o estudo, o Minha Casa Minha Vida foi responsável por 49% de todos os imóveis comercializados no período, totalizando 54.510 unidades vendidas.
O resultado reforça o peso do programa habitacional no desempenho da construção civil brasileira, especialmente em um cenário de juros elevados, crédito mais caro e maior cautela por parte dos compradores.
Para o vice-presidente da área da Indústria Imobiliária da CBIC, Ely Wertheim, o programa deixou de ter foco exclusivamente social e passou a ocupar papel estratégico no mercado imobiliário nacional.
Segundo ele, o Minha Casa Minha Vida se consolidou também como uma alternativa importante para famílias da classe média, ampliando sua participação no setor habitacional brasileiro.
Além do impacto nas vendas, o programa também influencia diretamente a geração de empregos, a renda e a movimentação da cadeia produtiva da construção civil, considerada uma das principais engrenagens da economia nacional.
O levantamento da CBIC mostra ainda que o desempenho do setor tem sido sustentado justamente pela combinação entre mercado de trabalho aquecido, aumento da renda e políticas de financiamento habitacional, fatores que ajudam a equilibrar os efeitos negativos dos juros altos sobre o crédito imobiliário.
Mesmo com o cenário econômico desafiador, o setor mantém expectativa positiva para os próximos meses, principalmente nos segmentos atendidos pelo Minha Casa Minha Vida, que seguem registrando forte demanda em diversas regiões do país.
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