Comandante do Grupamento de Proteção Ambiental destaca risco elevado de queimadas no DF em 2026 e pede o fim do uso do fogo para limpeza de terrenos e entulhos
O Distrito Federal se prepara para enfrentar mais uma temporada crítica de incêndios florestais. Em participação no programa Vozes da Comunidade, apresentado pelo jornalista Toni Duarte neste sábado (30), o comandante do Grupamento de Proteção Ambiental (GPRAM) do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF), tenente-coronel Marcelino, fez um alerta contundente à população: o combate às queimadas começa com a conscientização de cada cidadão.
Segundo o oficial, as projeções climáticas para este ano acendem um sinal de alerta. Há uma probabilidade de 90% de ocorrência do fenômeno El Niño, condição que, associada aos efeitos do aquecimento global, pode intensificar a estiagem e elevar significativamente os riscos de incêndios em áreas de Cerrado.
“O fenômeno altera drasticamente o regime de chuvas e as temperaturas, tornando o Cerrado um terreno fértil para grandes queimadas”, explicou o comandante.
Diante desse cenário, o CBMDF decidiu antecipar as ações preventivas. Mesmo durante o período conhecido como “Barreira de Previsibilidade da Primavera”, entre abril e junho, quando as previsões meteorológicas apresentam maior margem de erro, a corporação já iniciou mobilizações estratégicas junto às comunidades rurais e áreas de maior vulnerabilidade ambiental.
Fogo não é solução
Durante a entrevista, Marcelino reforçou que a principal causa dos incêndios continua sendo a ação humana. A prática de utilizar fogo para limpeza de terrenos, queima de lixo, restos de poda ou entulhos segue sendo um dos maiores desafios enfrentados pelas equipes de combate.
“O que começa como uma simples queima de entulho ou restos de poda pode, em segundos, fugir do controle e se transformar em um incêndio florestal devastador”, alertou.
O uso inadequado do fogo é desencorajado por normas e decretos do Governo do Distrito Federal. A estratégia do Grupamento de Proteção Ambiental prioriza a prevenção como a ferramenta mais eficaz para reduzir os danos ambientais e proteger vidas.
De acordo com o comandante, quando uma área deixa de sofrer queimadas frequentes, o ecossistema ganha tempo para se recuperar. Regiões que antes queimavam anualmente podem permanecer preservadas por até cinco anos, fortalecendo a vegetação nativa e garantindo melhores condições para a fauna local.
“Essa medida de não usar o fogo serve para proteger o patrimônio das pessoas e, principalmente, a vida”, destacou.
Operação Verde Vivo ganha reforço tecnológico
Para enfrentar o período de seca, o Corpo de Bombeiros ampliou a estrutura da Operação Verde Vivo, considerada a principal força-tarefa de combate aos incêndios florestais no Distrito Federal.
Neste ano, a corporação conta com 200 bombeiros dedicados exclusivamente às ocorrências em vegetação. Em situações de grande porte, o efetivo pode chegar a até 1.500 militares mobilizados em uma única operação.
A estrutura operacional também foi fortalecida com a instalação de 25 bases de atendimento distribuídas pelo DF, incluindo 12 postos especializados no combate a incêndios florestais.
O grande diferencial da edição de 2026 é o uso intensivo de tecnologia. Por meio do Centro de Gerenciamento Ambiental, o CBMDF monitora ocorrências em tempo real utilizando sistemas de Inteligência Artificial, drones e imagens de satélite capazes de identificar focos de calor e áreas de risco com maior precisão.
Além disso, as equipes operam sob o Sistema de Comando de Incidentes (SCI), metodologia internacional utilizada para coordenar grandes operações emergenciais, garantindo mais rapidez, integração e eficiência no atendimento.
Preservação depende de todos
Apesar dos investimentos em pessoal, equipamentos e tecnologia, o comandante reforçou que a proteção do Cerrado depende diretamente da colaboração da população.
A orientação é clara: evitar qualquer tipo de queima, denunciar focos de incêndio e adotar práticas responsáveis durante o período de estiagem.
“A recomendação clara é não utilizar o fogo. A segurança ambiental do Distrito Federal começa com a prevenção individual”, concluiu o tenente-coronel Marcelino.
Com a chegada da seca e a previsão de condições climáticas mais severas, o CBMDF aposta na união entre poder público e sociedade para evitar que o Distrito Federal enfrente uma nova temporada marcada por grandes incêndios e perdas ambientais.
Fonte: RadarDF
