Autista, PCD e agora pré-candidata a Deputada pelo DF para dar voz a quem nunca foi ouvido.



Autista, PCD e defensora das políticas de inclusão, Giza Soares lança sua pré-candidatura a Deputada pelo Distrito Federal. 

Sua história, marcada por dor, superação e reconstrução, se transforma agora em proposta política: ampliar a escuta e garantir representação para quem historicamente foi silenciado.

A trajetória de Giza começa nas ruas de Brasília, em uma infância atravessada pela ausência de proteção, pela experiência de ser moradora de rua, pedir esmolas e pela passagem por um orfanato. 

Desde cedo, aprendeu a observar mais do que reagir, a se adaptar para sobreviver e, muitas vezes, a silenciar para seguir adiante. A violência, presente desde a infância, atravessou também a adolescência e a vida adulta.

Já na fase adulta, em um relacionamento que deveria ser seguro, os abusos reapareceram. Foi nesse contexto que surgiram questionamentos profundos: por que suas reações eram diferentes do esperado? Por que, em muitos momentos, demorava a perceber que limites estavam sendo ultrapassados?

O diagnóstico como chave, não como rótulo.

A busca por respostas levou ao diagnóstico tardio de Transtorno do Espectro Autista (TEA). Mais do que um nome, o diagnóstico trouxe compreensão.

“O diagnóstico não me definiu, ele me explicou. Mudou meu mundo”, afirma Giza.

“Entendi que muitas das minhas reações eram mecanismos de sobrevivência, não falta de força.”

Com apoio terapêutico, Giza encontrou condições emocionais para tomar uma decisão decisiva: sair de um ambiente onde não se sentia segura. A separação foi um movimento consciente - realidade ainda distante para muitas mulheres que não contam com rede de apoio.

“Nós não somos responsáveis pelas atitudes das pessoas conosco. A violência nunca é culpa da vítima. O que nos cabe é decidir o que fazemos a partir disso.”

Transformar dor em direção.

A reconstrução veio com trabalho, escuta e propósito. A comunicação ocupou o lugar do medo. O jornalismo tornou-se ferramenta de reorganização da própria história, e também de outras.

Hoje, Giza Soares é fundadora de um jornal independente com viés inclusivo, atua em projetos de comunicação e lidera iniciativas na área de inteligência artificial com foco social. Seu trabalho é voltado à escuta ativa de mulheres, jovens em situação de vulnerabilidades e pessoas com deficiência, rompendo com a lógica histórica de invisibilidade.

“Meu projeto de vida vai além do discurso. É criar iniciativas que usem a tecnologia para construir inclusão, com ferramentas reais e acessíveis.”

Sua trajetória dialoga com milhares de histórias semelhantes. Ao falar de si, Giza fala com mulheres que se culpam por não reagirem “como deveriam”, com mães que recebem o diagnóstico de TEA, Síndrome de Down de seus filhos e temem pelo futuro, e com pessoas neurodivergentes que cresceram ouvindo que não seriam capazes de liderar.

Giza não romantiza a dor, mas também não a esconde. Sua história não é uma exceção heroica, e sim um exemplo de que diagnóstico não é sentença, origem não define destino e que apoio, compreensão e acesso a tratamento podem transformar trajetórias.

Da história pessoal à construção coletiva.

Agora, ao lançar sua pré-candidatura, Giza transforma sua vivência em proposta pública: criar espaços reais de escuta e fortalecer políticas voltadas à inclusão, especialmente para jovens, mulheres e pessoas PCDs.

“O que me feriu não me define. Mas as feridas curadas podem ajudar a curar outras pessoas. Quando a gente ganha voz, a gente puxa outros para fora do silêncio.”

Quem é Giza Soares.

Mãe, avó, jornalista, designer gráfica e publicitária, Giza Soares é empresária na área de comunicação e tecnologia. Pessoa com deficiência (PCD), atua na promoção da inclusão social por meio da escuta ativa e do uso de ferramentas tecnológicas.

🔗 @gizasoares_

Fonte: jornalcapitalfederal.com.br

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