Mais de 1 milhão de pessoas seguem sem vacina contra gripe em Goiás enquanto casos graves e mortes avançam
O avanço das doenças respiratórias em Goiás acendeu um sinal de alerta entre as autoridades de saúde. Mesmo com a vacina contra a gripe liberada para toda a população a partir dos seis meses de idade, mais de 1 milhão de pessoas dos grupos considerados mais vulneráveis ainda não procuraram os postos de vacinação. O cenário preocupa diante do aumento dos casos graves e das mortes associadas à Influenza e outras síndromes respiratórias.
Dados da Secretaria da Saúde mostram que, somente em 2026, Goiás já registrou 4.375 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (Srag). Desse total, 2.860 ocorreram entre crianças com menos de nove anos de idade, evidenciando o impacto das doenças respiratórias sobre o público infantil.
O número de mortes também chama atenção. Dos 214 óbitos contabilizados até agora, 136 ocorreram entre idosos acima de 60 anos. Outras 22 vítimas tinham entre 50 e 59 anos, enquanto 17 estavam na faixa etária de 40 a 49 anos. Os dados reforçam que os grupos prioritários continuam sendo os mais vulneráveis às complicações causadas pelos vírus respiratórios.
Apesar da ampliação da campanha vacinal para toda a população, a adesão ainda está longe do esperado. Após a abertura da vacinação universal, cerca de 57 mil pessoas receberam a dose contra a Influenza. Destas, 28 mil pertencem à população em geral e 29 mil fazem parte dos grupos prioritários.
O maior desafio, no entanto, continua sendo alcançar idosos, crianças e gestantes. Atualmente, aproximadamente 1,048 milhão de pessoas desses grupos ainda não se vacinaram em Goiás. A cobertura vacinal está em apenas 37,15%, percentual considerado baixo pelas autoridades sanitárias e muito próximo da média nacional, que é de 38,53%.
Os números de anos anteriores ajudam a explicar a preocupação. Um levantamento realizado pelo Centro de Inteligência Epidemiológica da Secretaria da Saúde revelou que, em 2025, dos 9.560 casos graves analisados, 1.868 foram provocados pelo vírus Influenza. Entre os pacientes internados, mais de 77% não estavam vacinados.
A relação entre falta de vacinação e mortes também ficou evidente. Dos 700 óbitos registrados naquele período, 84% ocorreram entre pessoas que não haviam recebido a imunização contra a gripe.
Diante desse cenário, a Secretaria da Saúde reforça que a vacinação continua sendo a principal ferramenta para evitar complicações, hospitalizações e mortes. A preocupação aumenta com a chegada de eventos que tradicionalmente atraem grandes públicos, como a Romaria de Trindade, festas juninas e eventos esportivos, que favorecem a circulação de vírus respiratórios e ampliam os riscos de transmissão.
Além da imunização, especialistas recomendam reforçar medidas preventivas, especialmente entre idosos, crianças e gestantes. A hidratação constante, a permanência em ambientes bem ventilados e a redução da exposição a locais fechados e com aglomerações são atitudes consideradas essenciais neste período de clima seco e variações bruscas de temperatura.
Para a população em geral, a orientação é manter os cuidados básicos de higiene, cobrir boca e nariz ao tossir ou espirrar, higienizar as mãos frequentemente e utilizar máscara sempre que houver sintomas gripais.
Com a vacina disponível gratuitamente em todo o estado, as autoridades de saúde alertam que a baixa adesão à campanha pode resultar em um aumento ainda maior dos casos graves nas próximas semanas, justamente em um período marcado por viagens, festas populares e maior circulação de pessoas.
FONTE: goiasgov
