A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) informou que um novo reajuste nas tarifas do transporte público do Entorno do Distrito Federal pode ocorrer ainda neste mês de fevereiro. Embora ainda não haja percentual ou tabela definidos, a revisão tarifária está em fase de apuração, o que gera preocupação entre passageiros que dependem diariamente do serviço para trabalhar ou estudar em Brasília.
O último aumento ocorreu em setembro do ano passado, quando as tarifas foram reajustadas em 2,9%. Atualmente, em algumas linhas, os valores já ultrapassam R$ 10, ampliando o impacto no orçamento dos usuários que fazem o deslocamento diário entre cidades goianas e o Distrito Federal.
O transporte interestadual semiurbano, que conecta municípios localizados a até 75 quilômetros da capital, é essencial para a mobilidade regional. Em 2024, cerca de 97% dos passageiros dessa modalidade realizaram viagens entre o Entorno e o DF, totalizando aproximadamente 49 milhões de deslocamentos ao longo do ano. O aumento constante das tarifas é apontado como um dos principais desafios enfrentados pelos usuários do sistema.
Enquanto a possibilidade de reajuste preocupa os passageiros, governos do Distrito Federal e de Goiás seguem discutindo a criação de um consórcio interfederativo para reorganizar a gestão do transporte na região. A proposta, debatida desde 2024, busca estabelecer um modelo de governança compartilhada entre os entes federativos e criar condições para subsidiar as tarifas, reduzindo o peso financeiro para os usuários.
Após a decisão da ANTT de não participar do consórcio, os governos do DF e de Goiás continuaram as negociações e avançaram na elaboração do protocolo de intenções, documento base para a formalização do acordo. O texto permanece em análise pelo governo goiano, e a expectativa é que a estrutura do consórcio avance ainda neste primeiro semestre.
Atualmente, toda a operação do transporte do Entorno é custeada exclusivamente pelas tarifas pagas pelos passageiros, o que contribui para a manutenção de valores elevados. A proposta de consórcio prevê a implantação de um sistema de bilhetagem eletrônica integrado, permitindo maior controle sobre a demanda e possibilitando o aporte financeiro dos governos para subsidiar parte do custo das passagens.
Enquanto a definição do novo reajuste e do modelo de gestão não ocorre, usuários continuam enfrentando tarifas consideradas altas, especialmente nas linhas mais longas, onde o custo diário do deslocamento pode comprometer parcela significativa da renda mensal de trabalhadores que dependem do transporte coletivo para acessar oportunidades de emprego no Distrito Federal.
Fonte:jornaldebrasilia.com.br
