Aos 31 anos, André Luiz Bezerra viu sua rotina mudar completamente após receber o diagnóstico de câncer enquanto trabalhava na pista do Aeroporto de Brasília. A expectativa inicial era de tratamento cirúrgico, mas exames posteriores identificaram metástase pulmonar, exigindo o início imediato de terapias clínicas. A rapidez no encaminhamento e início do atendimento foi possível graças ao programa “O Câncer Não Espera. O GDF Também Não”, que tem acelerado o acesso ao tratamento oncológico no Distrito Federal.
A iniciativa, lançada em julho de 2025 pelo Governo do Distrito Federal (GDF) e executada pela Secretaria de Saúde (SES-DF), reorganizou a linha de cuidado oncológica do SUS na capital, reduzindo filas, agilizando diagnósticos e antecipando o início das terapias. Dados oficiais indicam que o tempo médio de espera para a primeira consulta especializada caiu de cerca de 80 dias para aproximadamente 15 dias, redução superior a 80%. A fila de pacientes aguardando atendimento também apresentou queda expressiva, passando de mais de 1.500 pessoas para cerca de 194.
O Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF) teve papel central na implantação do programa, realizando a avaliação inicial dos pacientes e organizando o fluxo de encaminhamentos entre a rede pública e as unidades privadas conveniadas ao SUS. Durante os primeiros quatro meses de funcionamento da estratégia, a unidade realizou mais de 400 avaliações iniciais que permitiram direcionar pacientes para o tratamento mais adequado conforme o perfil clínico.
Além de estruturar o fluxo assistencial, o hospital ampliou a capacidade de atendimento. Entre julho e dezembro de 2025, foram registradas 810 consultas de primeira vez, mais de 12 mil consultas de retorno, 5.214 sessões de quimioterapia ambulatorial e 289 procedimentos de quimioterapia em regime de internação, resultado da expansão de vagas, leitos e da capacidade das salas de tratamento.
Atualmente, a avaliação inicial dos pacientes é realizada pela Oncoclínicas, unidade conveniada ao SUS, enquanto o atendimento ocorre de forma integrada entre hospitais públicos, serviços credenciados e a Secretaria de Saúde, garantindo continuidade e maior rapidez na assistência.
Especialistas reforçam que o diagnóstico precoce continua sendo uma das principais estratégias para aumentar as chances de cura. Sintomas persistentes, como perda de peso sem causa aparente, sangramentos anormais, presença de nódulos, feridas que não cicatrizam, tosse prolongada, alterações intestinais e dores contínuas, devem motivar a busca por atendimento nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs). Em caso de suspeita clínica, o paciente é inserido na fila única da Central de Regulação do DF, que organiza o encaminhamento para avaliação especializada e início do tratamento conforme o grau de prioridade.
A reorganização do atendimento oncológico no Distrito Federal tem consolidado um modelo que prioriza a rapidez no acesso ao diagnóstico e ao tratamento, reduzindo atrasos históricos no sistema e ampliando as possibilidades de recuperação para pacientes que enfrentam a doença.
*Com informações do IgesDF
