Foto, IA
A ONG Realidad Helicoide confirmou na noite de terça-feira (19) a libertação de três ex-policiais da extinta Polícia Metropolitana de Caracas que estavam presos havia mais de duas décadas pelo regime chavista na Venezuela.
Os agentes Héctor Rovaín, Erasmo Bolívar e Luis Molina eram considerados os presos políticos há mais tempo encarcerados pelo chavismo, permanecendo detidos durante 23 anos e um mês.
A soltura ocorre em meio ao processo de abertura política iniciado após a captura do então ditador Nicolás Maduro em uma operação militar conduzida pelos Estados Unidos em janeiro deste ano. Desde então, o governo interino liderado por Delcy Rodríguez vem promovendo libertações graduais de presos políticos.
Prisão virou símbolo da repressão chavista
Os três ex-policiais foram presos em 2003 após os confrontos ocorridos em Caracas durante os episódios de 11 de abril de 2002, um dos momentos mais turbulentos da crise política venezuelana. Eles sempre alegaram inocência e organizações de direitos humanos afirmam que os processos foram marcados por irregularidades judiciais e motivação política.
Ao longo dos anos, o caso se transformou em símbolo da repressão política associada ao chavismo, movimento iniciado pelo ex-presidente Hugo Chávez em 1999.
A ONG destacou que, apesar das recentes libertações, ainda existem cerca de 500 presos políticos no país. Em publicação na rede X, a entidade afirmou que continuará pressionando até que todos sejam libertados.
Helicoide continua no centro das denúncias
Grande parte das denúncias envolvendo perseguição política na Venezuela esteve ligada ao El Helicoide, complexo que se tornou uma das prisões políticas mais conhecidas do continente.
O local foi apontado por organizações internacionais como centro de detenções arbitrárias, torturas e violações de direitos humanos durante os governos chavistas.
Nos últimos meses, o governo interino anunciou planos para fechar o complexo e transformar a estrutura em um centro social e cultural, medida que divide opiniões entre ativistas e familiares de vítimas da repressão política.
Transição ainda enfrenta desconfiança
Embora as libertações sejam vistas como um gesto importante de distensão política, organizações de direitos humanos afirmam que a transição venezuelana ainda enfrenta forte desconfiança internacional.
Grupos independentes alegam que centenas de opositores continuam presos e cobram investigações sobre denúncias de tortura, desaparecimentos e perseguições políticas acumuladas ao longo das últimas décadas.
Fonte:
