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A governadora do Distrito Federal, Celina Leão, elevou o tom nesta quarta-feira (20) ao responder publicamente às pressões políticas vindas da cúpula do MDB e do ex-governador Ibaneis Rocha. Em uma declaração direta e carregada de recados políticos, Celina afirmou que “sucessão não é submissão”, deixando claro que pretende exercer autonomia à frente do Palácio do Buriti.
A fala ocorreu poucas horas após a divulgação de um vídeo em que Ibaneis apareceu ao lado de lideranças do MDB, como Baleia Rossi, Wellington Luiz e Rafael Prudente, criticando os rumos do atual governo e cobrando alinhamento político da governadora.
Celina reagiu lembrando sua trajetória política e destacando que já não ocupa mais o papel de vice-governadora. “Hoje eu não sou mais vice-governadora, eu sou governadora”, afirmou. A chefe do Executivo também justificou medidas duras adotadas nos últimos meses ao citar a crise financeira herdada pela atual gestão, envolvendo dificuldades nas contas públicas e problemas relacionados ao BRB.
Enquanto o MDB pressiona por maior protagonismo nas decisões políticas e na formação da futura chapa eleitoral, Celina tenta reforçar a imagem de independência administrativa e foco na gestão. O embate revela que, além da disputa pública, há uma intensa batalha silenciosa nos bastidores do poder em Brasília.
Bastidores fervem com disputa por espaço e Senado
Nos corredores do Buriti, interlocutores afirmam que o desgaste começou após mudanças promovidas por Celina em áreas consideradas estratégicas por aliados de Ibaneis Rocha. Entre os pontos de atrito estão a troca da identidade visual do governo e a exoneração de nomes ligados ao ex-governador.
Outro fator que ampliou o desconforto foi a estratégia de comunicação adotada pela governadora. Integrantes do MDB avaliam que a narrativa construída por Celina transmite a ideia de que a atual gestão estaria “corrigindo problemas” sem reconhecer o legado político deixado pelo grupo de Ibaneis.
Mas o principal foco da tensão gira em torno da disputa pelo Senado Federal. O MDB quer garantir desde já o apoio explícito da governadora à candidatura de Ibaneis Rocha, enquanto Celina evita se comprometer publicamente. Ao mesmo tempo, ela sofre pressão do PL para acomodar nomes como Michelle Bolsonaro e Bia Kicis em uma futura composição majoritária.
O resultado é um complexo jogo político que pode redefinir alianças no Distrito Federal nos próximos meses.
Crise política mostra importância do diálogo
Apesar da escalada de tensão, o momento exige cautela e capacidade de articulação entre os grupos. Em cenários de transição de liderança, divergências são naturais, mas a ausência de diálogo tende a aprofundar rupturas e gerar instabilidade administrativa.
A própria frase dita por Celina — “sucessão não é submissão” — evidencia o choque entre autonomia política e fidelidade de grupo, algo comum em governos de continuidade. No entanto, especialistas lembram que projetos políticos duradouros costumam depender menos de imposição e mais de construção coletiva.
No Distrito Federal, onde a composição partidária envolve interesses múltiplos e alianças nacionais, a busca por entendimento pode se tornar decisiva para evitar um rompimento definitivo entre antigos aliados.
Enquanto o calendário eleitoral se aproxima, o DF acompanha um duelo político que mistura poder, sucessão, influência e disputa por espaço — mas que também coloca à prova a capacidade das lideranças de manterem o diálogo acima das divergências.
Informações, Jornaldebrasília
