O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (7) que a Venezuela passará a comprar exclusivamente produtos fabricados nos Estados Unidos usando os recursos obtidos com a venda de petróleo sob um novo acordo entre os dois países. A declaração foi feita em sua rede social Truth Social e representa um marco inédito nas relações comerciais e geopolíticas envolvendo Caracas e Washington.
Segundo Trump, a medida vai além de uma simples orientação comercial, sinalizando um compromisso formal da Venezuela em tornar os EUA seu principal parceiro econômico. “A Venezuela está comprometida em fazer negócio com os Estados Unidos da América como seu principal parceiro — uma escolha sábia e muito benéfica para o povo da Venezuela e dos Estados Unidos”, escreveu o presidente em sua postagem.
Itens que serão comprados e propósito das compras
De acordo com o anúncio, os recursos obtidos com a venda do petróleo venezuelano serão direcionados para adquirir produtos industriais e agrícolas dos EUA, incluindo:
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produtos agrícolas americanos;
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medicamentos e dispositivos médicos;
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equipamentos fabricados nos EUA para melhorar a rede elétrica e as instalações energéticas da Venezuela.
Trump afirmou que esse esquema foi negociado como parte de um “novo acordo petrolífero” que prevê a entrega de entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo venezuelano aos Estados Unidos, que serão vendidos a preço de mercado. A receita gerada seria administrada sob controle americano, com o presidente garantindo que os fundos serão usados “em benefício tanto do povo venezuelano quanto dos norte-americanos”.
Contexto e controvérsias
O anúncio ocorre em meio a uma mudança abrupta na relação entre os dois países. Após uma operação liderada pelos EUA que resultou na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro, Washington afirmou que está direcionando as exportações de petróleo do país caribenho para atender à demanda americana e, em paralelo, pressionar a economia interna venezuelana a se abrir para negócios com os EUA.
Segundo reportagens internacionais, a administração Trump planeja controlar indefinidamente as vendas de petróleo venezuelano no mercado global, o que daria aos EUA uma posição de influência estratégica sobre as reservas energéticas do país — as maiores do mundo.
A política também suscitou críticas e preocupação de analistas internacionais, que veem a medida como uma forma de restrição à autonomia comercial da Venezuela, além de um possível uso político e econômico dos recursos naturais venezuelanos para fortalecer interesses norte-americanos.
Reações e próximos passos
Até o momento, o governo venezuelano não confirmou oficialmente os termos do acordo divulgado por Trump, e organismos internacionais aguardam esclarecimentos sobre a legalidade e os impactos de um pacto que vincula diretamente receitas de petróleo à compra exclusiva de bens norte-americanos.
Especialistas em relações internacionais apontam que esse tipo de acordo pode redefinir as alianças comerciais na região, afetar mercados de energia e intensificar debates sobre soberania econômica. Neste contexto, o mundo acompanha de perto os desdobramentos de um episódio que poderá ter repercussões profundas para o futuro diplomático e econômico da América Latina.
Fonte: jovempan.com.br
