Tarifa de Trump contra parceiros do Irã pode provocar novo choque no comércio global

Foto - edition

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou em 12 de janeiro a imposição de uma tarifa de 25% sobre qualquer país que mantenha relações comerciais com o Irã. A medida, de aplicação imediata, reacende tensões no comércio internacional e tende a ter impactos profundos, especialmente sobre a China, principal parceira econômica tanto de Teerã quanto de Washington.

O anúncio foi feito por meio da rede social Truth Social. Segundo Trump, “qualquer país que negocie com o Irã pagará 25% em todos os negócios com os Estados Unidos”. A Casa Branca, no entanto, não apresentou detalhes técnicos sobre o mecanismo de aplicação da tarifa nem esclareceu como o governo pretende fiscalizar ou operacionalizar a medida.

China no centro do impacto

A China desponta como o país mais afetado pela nova diretriz. Atualmente, Pequim já enfrenta uma taxa mínima de 45% sobre seus produtos exportados aos Estados Unidos, resultado de um acréscimo de 20% em relação ao patamar anterior. Com a nova tarifa anunciada por Trump, a pressão sobre a economia chinesa tende a se intensificar.

Dados da alfândega chinesa indicam que, nos primeiros 11 meses de 2025, as exportações da China para o Irã somaram US$ 6,2 bilhões, enquanto as importações alcançaram US$ 2,85 bilhões. Além disso, mais de 90% do petróleo iraniano exportado nos últimos anos teve a China como destino, frequentemente por meio de intermediários, estratégia utilizada para contornar sanções internacionais.

Outros parceiros estratégicos de Teerã

Além da China, países como Índia, Emirados Árabes Unidos e Turquia figuram entre os principais parceiros comerciais do Irã. A Índia, por exemplo, já enfrenta tarifas elevadas impostas pelos Estados Unidos devido à compra de petróleo russo, o que pode agravar ainda mais sua relação comercial com Washington caso mantenha negócios energéticos com Teerã.

Especialistas avaliam que a nova política tarifária pode criar um efeito dominó, forçando países a reavaliar suas relações comerciais com o Irã para evitar prejuízos em negociações com os Estados Unidos.

Contexto político e pressão interna no Irã

O anúncio ocorre em meio a um cenário de instabilidade interna no Irã. Desde o final de dezembro de 2025, o país enfrenta protestos em grande escala, impulsionados pela deterioração da economia, forte desvalorização da moeda local e alta generalizada dos preços. As manifestações representam um desafio significativo ao regime iraniano.

Nesse contexto, Trump deve se reunir em 13 de janeiro com generais seniores das Forças Armadas dos Estados Unidos. O encontro terá como pauta possíveis estratégias para apoiar protestos internos e enfraquecer o governo iraniano. Entre as opções em discussão estão medidas militares, ações cibernéticas, campanhas informacionais e novas sanções econômicas.

Risco de escalada internacional

A combinação de tarifas amplas, pressão diplomática e discussões sobre ações militares eleva o risco de uma nova escalada nas tensões entre os Estados Unidos, o Irã e seus parceiros comerciais. Analistas alertam que a medida pode não apenas afetar cadeias globais de suprimentos, mas também aprofundar a instabilidade econômica e geopolítica em um momento já marcado por conflitos e incertezas no cenário internacional.

Fonte: edition.com

Voz Nacional - Portal de Notícias

Site de Notícias e criador de conteúdo digital. Comprometo-me sempre a levar matérias sem fake news, garantindo que a informação fornecida seja sempre válida e de qualidade.

Postagem Anterior Próxima Postagem