O Maranhão atravessa um tempo em que a cultura não pode depender apenas de calendários oficiais, solenidades ocasionais ou do brilho fugaz das redes.
Se há um consenso possível entre autoridades, academias coirmãs, intelectuais e gestores de projetos literários, ele começa pelo óbvio que tantas vezes se adia. E isso passa obrigatoriamente pela formação de leitores e escritores. Ou seja, uma política de futuro, e futuro não se constrói sem mãos estendidas a quem já está trabalhando, com método, constância e resultados.
Por isso, eu apoio sempre iniciativas privadas sérias, que brotam do chão de ações privadas para alcançarem a vida concreta das famílias.
Nesse cenário, merece aplauso a educadora, poeta, escritora e professora Sharlene Serra, cuja atuação vem ampliando, com vigor raro, o horizonte cultural maranhense e, por extensão, dialogando com o Brasil.
O mérito maior não está apenas no talento autoral, mas na concepção pedagógica de um trabalho que semeia vocações.
Quando um projeto de escrita e leitura consegue, ano após ano, formar uma nova safra de autores infantojuvenis, como é o caso da ACADEMIA MARANHENSE DE LETRAS INFANTOJUVENIL, (Sharlene é fundadora), o que se vê, não é um evento, e sim um processo.
E processo, em educação, é onde mora a transformação que permanece: a disciplina da palavra, o prazer da leitura, a coragem do primeiro texto, o senso de responsabilidade a uma tradição literária que deixa de ser vitrine distante para virar casa habitada.
Sharlene Serra também se consagra por uma inovação de alcance humano e social. Vale explicitar o projeto da Coleção INCLUIR, cuja essência não é “adaptar” o aluno com deficiência ao mundo, mas afirmar que o mundo só é completo quando reconhece, com naturalidade e respeito o sujeito e sua diversidade.
Assim, há algo também profundamente educativo quando a literatura, em vez de ornamentar o currículo, torna-se instrumento de empatia e justiça cotidiana.
É exatamente aqui que a responsabilidade coletiva se impõe. Apoiar iniciativas como essas significa = INCLUIR E AMLIJ - garantir circulação, permanência e escola digna. São atitudes pertinentes que abrem portas em bibliotecas, feiras, universidades, academias, secretarias e redes de ensino; criando pontes para oficinas, rodas de leitura, encontros autorais, impressão, distribuição e continuidade.
Desta forma a cultura maranhense não precisa apenas celebrar talentos já consagrados; precisa, sobretudo, proteger os novos. E o nascimento de um escritor quase sempre começa no momento em que alguém, com seriedade e método, diz ao aluno: sua voz importa, seu texto é possível, sua diferença é legítima.
Mhario Lincoln é jornalista, advogado, escritor e poeta brasileiro, natural de São Luís (MA), nascido em 1954. Possui uma trajetória consolidada no jornalismo, com atuação em emissoras de televisão e veículos impressos de grande relevância, como o SBT/Difusora e importantes jornais locais. Também atuou como Auditor Fiscal, encontrando-se atualmente aposentado da função pública.
É fundador e articulador da Academia Poética Brasileira, com sede em Curitiba (PR), e idealizador da plataforma Facetubes, um ambiente digital dedicado à difusão cultural e à valorização da produção literária de escritores de diversas regiões do país.
Eis o milagre da AMLIJ. Parabéns!
Mhario Lincoln e jornalista e poeta.
