Flávio Bolsonaro se declara “verdadeiro presidente eleito” em carta nos EUA e acusa STF de perseguição
Após deixar o Brasil com a família, senador contesta vitória de Lula, questiona a lisura das eleições sem apresentar provas e anuncia que pretende organizar a oposição diretamente dos Estados Unidos.
O senador Flávio Bolsonaro (PL) divulgou nesta quarta-feira (28) uma carta pública na qual se apresenta como o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”, contesta a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva e faz duras acusações contra o Supremo Tribunal Federal (STF). No documento, o parlamentar afirma ser vítima de perseguição política e anuncia que pretende continuar sua atuação política a partir dos Estados Unidos.
Logo no início da carta, Flávio se dirige aos brasileiros e à comunidade internacional com uma declaração contundente: “Dirijo-me ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o verdadeiro presidente eleito do Brasil.”
O senador também levanta suspeitas sobre o resultado das eleições presidenciais e alega que houve fraude na votação. Até o momento, porém, as acusações apresentadas no documento não foram acompanhadas de provas que sustentem a alegação de irregularidades no processo eleitoral.
Ao longo do texto, Flávio questiona a atuação das autoridades brasileiras e afirma que as medidas judiciais contra ele têm motivação política. O parlamentar sustenta que pretende continuar exercendo sua liderança sem o que considera interferência indevida do Judiciário.
“Não fugi do Brasil”, afirma senador
Um dos trechos de maior destaque da carta é a resposta de Flávio às críticas sobre sua saída do país. O senador rejeitou a interpretação de que teria fugido e apresentou sua decisão como uma estratégia para manter a atuação política.
“Quero deixar claro: não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil”, declarou.
Flávio afirmou ainda que não existe mandado de prisão contra ele e classificou as medidas judiciais que enfrenta como uma tentativa de restringir sua participação na política nacional.
Na carta, o senador também recorre a comparações com lideranças políticas que viveram no exílio e afirma que pretende estruturar a oposição ao governo Lula a partir do território norte-americano.
“Saí do Brasil, mas não abandonei os brasileiros”, escreveu.
Agradecimento a Trump e Milei
O parlamentar agradeceu ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e ao presidente da Argentina, Javier Milei, pelo apoio que afirma ter recebido durante sua saída do Brasil.
A manifestação ocorre após Flávio deixar o território brasileiro em um trajeto que passou pela Argentina e pelo Equador, antes de desembarcar em Miami, nos Estados Unidos, acompanhado da esposa e das duas filhas.
A viagem também ocorre em meio a uma controvérsia envolvendo a entrega de seus passaportes, após determinação judicial atribuída ao STF. A situação acrescentou um novo capítulo ao embate político e jurídico envolvendo o senador.
Oposição nos Estados Unidos
Ao final da carta, Flávio Bolsonaro anuncia que pretende fazer novos pronunciamentos nos próximos dias e apresentar uma estratégia de mobilização contra o governo Lula.
A intenção declarada é manter sua atuação política mesmo fora do Brasil, buscando ampliar o alcance de suas críticas ao governo federal e às instituições brasileiras.
A publicação deve alimentar o debate político sobre a relação entre oposição, Judiciário e governo federal. As acusações feitas pelo senador, especialmente as relacionadas ao processo eleitoral, seguem sendo declarações atribuídas a ele e não devem ser confundidas com fatos comprovados.
Fontes: carta pública de Flávio Bolsonaro, divulgada por Paulo Figueiredo; UOL; Agência Brasil; Folha de S.Paulo.
