Flamengo apela à Conmebol após eliminação e transforma derrota para o Estudiantes em batalha nos tribunais. (FOTO, luannfla)
Diretoria contesta escalação de Marcos Rojo e tenta reverter resultado da semifinal; iniciativa reacende críticas à gestão de BAP e José Boto
Eliminado pelo Estudiantes na semifinal da Libertadores, o Flamengo decidiu levar a disputa para fora das quatro linhas. O clube apresentou uma reclamação à Conmebol contra a escalação do zagueiro Marcos Rojo, que atuou na partida de volta após conseguir autorização provisória do Tribunal Arbitral do Esporte (TAS). A iniciativa busca reverter o resultado que tirou o Rubro-Negro da competição.
O confronto terminou empatado em 0 a 0 no tempo normal, no Maracanã, e o Estudiantes venceu por 3 a 2 nas cobranças de pênaltis. Com a classificação argentina, o Flamengo viu escapar a vaga na decisão e agora tenta encontrar nos tribunais um caminho para mudar o desfecho da semifinal.
A contestação envolve a inscrição de Rojo. A Conmebol havia rejeitado inicialmente o pedido do Estudiantes para registrar o defensor na vaga do lesionado Gabriel Neves. O clube argentino recorreu ao TAS, que concedeu uma medida cautelar permitindo a utilização do jogador. O Flamengo entende que a autorização não elimina a possibilidade de questionamento sobre o cumprimento do regulamento.
Segundo informações publicadas pelo ge e pela CNN Brasil, o clube carioca busca a aplicação da punição prevista para uma eventual escalação irregular, que poderia resultar em derrota por 3 a 0 para o Estudiantes. A reclamação, porém, não significa que a classificação argentina será automaticamente anulada. O caso depende da análise dos órgãos competentes.
Tapetão não apaga o que aconteceu em campo
A iniciativa da diretoria abre espaço para uma discussão que vai além do regulamento: até que ponto faz sentido tentar recuperar nos tribunais uma classificação que não veio dentro de campo?
Na avaliação crítica à postura dos dirigentes, recorrer ao chamado “tapetão” é uma atitude ridícula quando passa a impressão de que o clube procura uma saída jurídica para compensar uma eliminação esportiva. O Flamengo teve a oportunidade de decidir a vaga diante de sua torcida, mas não conseguiu vencer o Estudiantes no tempo normal nem superar o adversário nas penalidades.
É legítimo questionar uma possível infração às regras e buscar esclarecimentos formais. Isso, entretanto, não impede que a decisão da diretoria seja criticada. Existe uma diferença entre exigir o cumprimento do regulamento e alimentar a expectativa de que uma eliminação será revertida fora de campo.
A torcida rubro-negra merece uma equipe competitiva, planejamento e respostas para o desempenho apresentado em momentos decisivos. A insatisfação com a iniciativa também precisa ser ouvida: não se deve presumir que todos os torcedores apoiem a estratégia de recorrer aos tribunais. Para quem defende que o resultado precisa ser resolvido dentro das quatro linhas, a medida representa um caminho questionável e distante do futebol que gostaria de ver o clube praticar.
Responsabilidade da diretoria está em debate
A movimentação também aumenta a pressão sobre a gestão de BAP e José Boto. Depois da eliminação, a discussão sobre decisões administrativas, planejamento do elenco e desempenho esportivo ganhou mais um capítulo.
O Flamengo tem direito de apresentar sua contestação e aguardar uma decisão oficial. Mas a existência de um recurso não muda o que ocorreu no Maracanã: o time não marcou no tempo normal e acabou derrotado nas cobranças de pênaltis.
A Conmebol ainda precisa analisar os argumentos apresentados e a situação jurídica da participação de Marcos Rojo. Até que haja uma decisão, o Estudiantes permanece classificado para a final da Libertadores.
No fim, a cobrança sobre a diretoria é inevitável. Mais do que tentar reverter uma eliminação no tribunal, o Flamengo precisa dar explicações à torcida sobre o que aconteceu dentro de campo onde a vaga na final foi disputada e onde o time acabou eliminado.
