Flamengo afunda após demitir Filipe Luís: BAP e Boto trocaram um campeão por um Jardim de fracassos

 

Flamengo cai diante do Estudiantes, acumula eliminações e expõe erro na troca de Filipe Luís por Jardim


Foto:maurocezar000


Após queda na Copa do Brasil e despedida da Libertadores, decisões de BAP e José Boto entram no centro das críticas; equipe não marcou gols nos dois jogos contra os argentinos

A eliminação do Flamengo para o Estudiantes, na noite de quinta-feira (22), no Maracanã, aumentou a pressão sobre a diretoria rubro-negra e reacendeu o debate sobre a demissão de Filipe Luís e a contratação de Leonardo Jardim. Depois de deixar a Copa do Brasil diante do Vitória, o clube carioca também se despediu da Libertadores, frustrando a torcida e colocando em xeque as decisões do presidente Luiz Eduardo Baptista, o BAP, e do diretor de futebol José Boto.

O Flamengo empatou por 0 a 0 com o Estudiantes no tempo regulamentar, repetindo o placar do primeiro confronto, na Argentina. Na disputa de pênaltis, perdeu por 3 a 2 e viu os argentinos garantirem a vaga na final. O resultado foi ainda mais frustrante porque a equipe brasileira atuou com um jogador a mais durante boa parte do segundo tempo, mas não conseguiu transformar a superioridade numérica em gols. 

A atuação ofensiva foi um dos principais problemas. Mesmo com a posse de bola e as mudanças promovidas por Jardim, o Flamengo encontrou dificuldades para furar a defesa adversária. Jorginho, Lucas Paquetá e Bruno Henrique desperdiçaram suas cobranças, enquanto o goleiro Muslera foi decisivo para assegurar a classificação do Estudiantes. 

Duas eliminações e uma escolha sob questionamento

A queda na Libertadores não pode ser analisada isoladamente. Em maio, o Flamengo também foi eliminado da Copa do Brasil pelo Vitória. Depois de vencer o jogo de ida por 2 a 1, o time rubro-negro perdeu por 2 a 0 no Barradão e deixou a competição ainda na quinta fase. Na ocasião, a equipe já era comandada por Leonardo Jardim. 

O cenário amplia o questionamento sobre a decisão de BAP e Boto de encerrar o trabalho de Filipe Luís para apostar em outro treinador. Filipe havia conquistado títulos importantes à frente do clube, incluindo o Campeonato Brasileiro e a Libertadores de 2025. Sua saída levantou dúvidas sobre os critérios utilizados pela diretoria para avaliar o trabalho e definir a mudança no comando técnico.

A comparação também provoca uma pergunta incômoda para os dirigentes: o que pesou mais na decisão de demitir Filipe Luís — as derrotas na Supercopa e na Recopa, em um início de temporada turbulento, ou a avaliação de que o trabalho havia perdido capacidade de evolução?

Não é possível afirmar que Filipe Luís teria evitado as eliminações. O futebol não permite esse tipo de certeza. Mas a diretoria escolheu interromper um ciclo que havia produzido títulos e agora precisa explicar por que a mudança não trouxe os resultados esperados nas duas principais competições de mata-mata disputadas pelo clube.

Jardim também precisa responder

Leonardo Jardim chegou ao Flamengo com a responsabilidade de dar continuidade à busca por títulos e manter a equipe competitiva. Entretanto, as eliminações diante de Vitória e Estudiantes colocaram o treinador sob pressão.

Após a partida contra os argentinos, Jardim reconheceu a frustração e admitiu que o Flamengo não conseguiu criar presença ofensiva suficiente, apesar de ter dominado a posse de bola. O próprio treinador destacou que a equipe teve dificuldades para encontrar espaços na defesa adversária e transformar o controle do jogo em oportunidades efetivas. 

A questão, agora, é saber como o técnico pretende recuperar o rendimento da equipe e se terá respaldo para conduzir a reação no Campeonato Brasileiro. Também cabe à diretoria esclarecer se mantém a confiança no projeto que escolheu implementar.

BAP e Boto tomaram a decisão de trocar o treinador e, por isso, precisam assumir a responsabilidade pelos resultados dessa escolha. Jardim, por sua vez, terá de demonstrar que pode entregar o desempenho esperado de um elenco com grandes investimentos e ambições elevadas.

A conta chega para a diretoria

O Flamengo ainda tem o Campeonato Brasileiro pela frente, mas a possibilidade de conquistar o título nacional não apaga as eliminações já sofridas. A Libertadores era uma oportunidade de buscar o pentacampeonato, enquanto a Copa do Brasil representava outra chance de levantar uma taça importante na temporada.

Para a torcida, fica a sensação de que uma mudança feita com a expectativa de melhorar os resultados terminou acompanhada de duas quedas dolorosas. O clube não conseguiu avançar em nenhuma das duas competições de mata-mata e agora precisa reconstruir a confiança dentro e fora de campo.

A pergunta que permanece é direta: BAP e José Boto vão reconhecer que a troca de Filipe Luís por Leonardo Jardim pode ter sido um erro de avaliação ou continuarão defendendo a decisão sem apresentar respostas convincentes?

No futebol, demitir um treinador é uma prerrogativa da diretoria. Sustentar as consequências da escolha também faz parte do cargo. E, depois das eliminações para Vitória e Estudiantes, a cobrança não pode recair apenas sobre jogadores e comissão técnica. Ela precisa chegar a quem decidiu mudar o rumo do Flamengo.

O Flamengo pode até liderar o Campeonato Brasileiro, mas vamos ser sinceros: essa liderança também é fruto da qualidade de um elenco recheado de grandes jogadores. Se dependesse exclusivamente do trabalho do treinador, será que a equipe estaria sequer entre os quatro primeiros colocados?

É impressionante como o desempenho rubro-negro fica aquém do potencial desse grupo. O Flamengo tem jogadores para dominar as competições, mas falta transformar essa qualidade individual em um futebol convincente, organizado e decisivo. As eliminações para Vitória e Estudiantes reforçam essa percepção. No fim das contas, fica a impressão de que o Flamengo tem elenco de campeão, mas ainda não encontrou um treinador capaz de fazer esse time jogar à altura do que pode produzir.

Por Lucas Souza

Voz Nacional • Por Lucas Souza

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