Presidente americano voltou a defender possibilidade de prolongar presença no país e comparou cenário com acordo envolvendo a Venezuela
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou no domingo (13) que os americanos poderão permanecer no Irã mesmo após o fim da guerra e até mesmo manter o controle sobre parte do petróleo do país. A declaração foi feita durante sua passagem pela Irlanda e adiciona uma nova possibilidade ao futuro da atuação militar e econômica dos Estados Unidos no Oriente Médio.
Trump afirmou que os Estados Unidos deverão deixar o Irã caso um acordo seja alcançado, mas apresentou uma alternativa: permanecer no país e obter receitas relacionadas à exploração do petróleo. Para justificar a possibilidade, o presidente fez uma comparação com o acordo firmado recentemente pelos Estados Unidos envolvendo a Venezuela.
“Vamos sair do Irã, a menos que decidamos ficar e ficar com o petróleo, como na Venezuela”, disse Trump, segundo a Reuters. O presidente também afirmou que as receitas obtidas no acordo venezuelano teriam compensado os custos da guerra.
A declaração ocorre em um momento de forte instabilidade no mercado internacional de energia. Os conflitos envolvendo Irã, grupos aliados e países do Golfo têm provocado preocupações sobre o fornecimento mundial de petróleo, especialmente diante das ameaças e ataques contra estruturas estratégicas de transporte e produção.
Trump prevê fim da guerra ainda este ano
Apesar de admitir a possibilidade de uma permanência prolongada no Irã, Trump voltou a afirmar que espera que o conflito termine ainda em 2026. Segundo o presidente, um eventual desfecho poderá ocorrer depois das eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos, previstas para novembro.
Trump também afirmou que os preços da gasolina nos Estados Unidos deverão cair significativamente caso a guerra termine. A declaração ocorre justamente em meio à alta das cotações internacionais do petróleo provocada pela escalada das tensões no Oriente Médio.
O petróleo Brent chegou a superar os US$ 107 por barril nesta segunda-feira (14), depois de uma semana de forte valorização. A alta ocorre após novos ataques contra estruturas de energia da Arábia Saudita e diante dos riscos para importantes rotas de transporte marítimo da região.
Petróleo passa a ocupar espaço central na estratégia
Ao mencionar diretamente a possibilidade de permanecer no Irã para obter petróleo, Trump sinaliza que os recursos energéticos podem fazer parte das discussões sobre os próximos passos dos Estados Unidos no conflito.
A situação também aumenta a pressão sobre os países do Golfo. Ataques recentes contra infraestrutura petrolífera saudita e a crescente tensão em torno do estreito de Ormuz elevaram os temores de novas interrupções no fornecimento mundial de energia.
O cenário coloca Trump diante de uma decisão estratégica: buscar uma saída negociada para o conflito ou manter uma presença americana prolongada na região. Ao mesmo tempo, a proximidade das eleições de meio de mandato aumenta o peso político de qualquer decisão relacionada à guerra.
Enquanto Washington avalia os próximos passos, o mercado de petróleo acompanha de perto a evolução do conflito. Uma permanência prolongada dos Estados Unidos no Irã poderá ampliar ainda mais as disputas envolvendo energia, segurança e influência geopolítica no Oriente Médio.
