Produção florestal do DF despenca 47,9% em 2025, aponta IBGE

Valor gerado pela silvicultura e pelo extrativismo vegetal ficou em R$ 16,1 milhões; queda foi puxada principalmente pela redução na produção de madeira em tora

O Distrito Federal registrou uma forte queda no valor da produção primária florestal em 2025. Segundo dados da Pesquisa da Extração Vegetal e da Silvicultura (PEVS), divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira (24), o setor movimentou R$ 16,1 milhões, uma redução de 47,9% em relação a 2024. A divulgação consta no calendário oficial do IBGE para esta quinta-feira. 

A pesquisa reúne informações sobre a quantidade e o valor dos produtos obtidos tanto pela exploração de florestas plantadas para fins comerciais, chamada de silvicultura, quanto pela exploração dos recursos vegetais naturais, o extrativismo vegetal.

No DF, a silvicultura respondeu por R$ 13,3 milhões do valor total em 2025, enquanto a extração vegetal representou R$ 2,8 milhões. Na comparação com o ano anterior, houve redução de 52,5% na silvicultura e de 3% na extração vegetal.

Madeira em tora tem forte queda

Entre os produtos madeireiros da silvicultura, a madeira em tora foi o principal destaque. Em 2025, foram produzidos 110,3 mil metros cúbicos, volume 56,2% menor que o registrado em 2024.

Quase toda essa produção foi destinada a outras finalidades que não a fabricação de papel e celulose.

Apesar da queda na madeira em tora, a produção de lenha apresentou forte crescimento. O volume produzido aumentou 240,3% em relação a 2024, chegando a 5,9 mil metros cúbicos em 2025.

O valor total da silvicultura chegou a R$ 13,3 milhões, sendo que a madeira em tora respondeu por 95,7% desse montante.

Eucalipto e pinus dominam florestas plantadas

O levantamento também mostra a predominância de duas espécies nas áreas destinadas à produção comercial no Distrito Federal: eucalipto e pinus.

Juntas, as duas espécies representam 96,9% da área cultivada com florestas plantadas para fins comerciais, ocupando aproximadamente 1,2 mil hectares.

Os dados fazem parte da PEVS, pesquisa anual do IBGE que acompanha a produção obtida por meio da silvicultura e do extrativismo vegetal no país. 

Carvão vegetal lidera o extrativismo

No extrativismo vegetal, o carvão vegetal foi o principal produto do Distrito Federal em 2025.

Foram produzidas aproximadamente 1,3 mil toneladas, com valor de R$ 2,4 milhões, equivalente a 86,2% de todo o valor gerado pela extração vegetal no DF.

Mesmo sendo o principal produto do segmento, o carvão apresentou queda de 8,9% na quantidade produzida em relação a 2024.

Outros produtos madeireiros também registraram aumento no período. A produção de lenha extraída de forma vegetal chegou a 5 mil metros cúbicos, alta de 11,1%, enquanto a produção de madeira em tora alcançou 300 metros cúbicos, crescimento de 20%.

Pequi ganha destaque

Um dos dados que chamam atenção na pesquisa é o desempenho do pequi.

O fruto foi o produto extrativo não madeireiro com maior quantidade produzida no Distrito Federal em 2025. Foram registradas 10 toneladas, volume 11,1% superior ao de 2024.

Somados, lenha, madeira em tora e pequi representaram cerca de R$ 372 mil em valor de produção no extrativismo vegetal do DF.

Os números mostram que, apesar da forte retração registrada na produção florestal do Distrito Federal em 2025, alguns segmentos apresentaram crescimento na quantidade produzida, especialmente a lenha e o pequi. O resultado geral, porém, foi fortemente impactado pela queda da silvicultura e, principalmente, pela redução na produção de madeira em tora.

Voz Nacional • Por Lucas Souza

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