Lula ataca Celina Leão em ato no DF e transforma crise do BRB em confronto político
Presidente chamou governadora de “cínica e mentirosa”, rejeitou ajuda financeira ao BRB e afirmou que não usará recursos da União para socorrer o banco - Foto redação Voz Nacional
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) elevou o tom contra a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), durante ato político realizado na noite desta quarta-feira (16), em Ceilândia. Diante de aliados e apoiadores, Lula fez críticas diretas à chefe do Executivo local e relacionou a atual crise do Banco de Brasília (BRB) às operações envolvendo o Banco Master.
Durante o discurso, Lula afirmou que Celina estaria tentando transferir para o governo federal a responsabilidade pelos problemas financeiros do BRB. O presidente classificou a postura da governadora como “cínica e mentirosa” e afirmou que não pretende utilizar recursos da União para socorrer o banco.
“A governadora, de forma cínica e mentirosa, tenta jogar a responsabilidade no governo federal”, afirmou Lula durante o evento.
Na sequência, o presidente atribuiu a origem do problema à relação entre o ex-governador Ibaneis Rocha e o banqueiro Daniel Vorcaro, afirmando que o BRB teria adquirido títulos que, segundo ele, não existiriam, no valor de R$ 12 bilhões. As declarações foram feitas em meio à disputa política pelo governo do Distrito Federal.
Lula também afirmou que o governo federal não colocará dinheiro público para cobrir os prejuízos do BRB. “Nós não vamos deixar o povo sem dinheiro, mas não vamos dar dinheiro para o BRB”, declarou.
O discurso ocorreu justamente em um evento de campanha no Distrito Federal que contou com a presença de Leandro Grass (PT), candidato apoiado por Lula na disputa pelo Palácio do Buriti. Ao final do discurso, o presidente afirmou que pretende trabalhar para eleger Grass governador do DF.
Celina reage e acusa Lula de usar o BRB na disputa eleitoral
Na manhã desta quinta-feira (17), Celina Leão respondeu às declarações e criticou o tom adotado pelo presidente da República.
A governadora afirmou que o Distrito Federal não está pedindo uma doação de dinheiro à União, mas um aval para uma operação de crédito. Segundo Celina, o empréstimo seria pago pelo próprio DF.
“Eu lamento muito que o presidente Lula tenha escolhido partir para ofensa pessoal, fazendo várias agressões a uma governadora mulher. Será que ele usaria as mesmas palavras para se dirigir a um governador homem? Eu não vou responder a ofensa com ofensa, vou responder com fatos”, afirmou.
Celina também criticou a utilização do BRB no debate eleitoral e afirmou que o banco pertence ao Distrito Federal.
“O que você não pode fazer é transformar o BRB em uma arma eleitoral. O BRB não é meu e nem de partido algum, é um patrimônio de Brasília”, declarou.
A governadora ainda disse esperar que Lula exercesse o papel de presidente da República, e não de cabo eleitoral de um candidato ao governo do DF.
Crise do BRB ganha espaço no debate eleitoral
O embate entre Lula e Celina ocorre em meio à crise envolvendo o BRB e as operações realizadas com o Banco Master. O caso vem sendo acompanhado por autoridades e está relacionado a discussões sobre perdas, recuperação de ativos e alternativas para reforçar a situação financeira do banco.
Um relatório do Banco Central citado pelo UOL apontou um potencial impacto de R$ 11,4 bilhões no BRB relacionado às operações com o Master. O valor aparece em meio às negociações e medidas adotadas para enfrentar a situação financeira da instituição.
O episódio em Ceilândia, porém, acrescentou um componente eleitoral à crise. De um lado, Lula responsabiliza gestões do Distrito Federal e rejeita a utilização de recursos federais para socorrer o banco. Do outro, Celina afirma que o pedido feito pelo DF é por aval da União para uma operação de crédito e acusa o presidente de transformar o BRB em instrumento de disputa política.
O confronto coloca o futuro do banco público do DF no centro da disputa eleitoral e amplia a tensão entre o Palácio do Buriti e o governo federal.
“Fica uma pergunta que faço como cidadão e jornalista: se o governador responsável pelo banco fosse do PT ou um aliado político próximo de Lula, será que o presidente adotaria exatamente a mesma postura? Será que o governo federal manteria a mesma resistência ou buscaria uma solução para ajudar o banco? Não estou afirmando que seria diferente, mas diante dos fatos, é uma pergunta que merece ser feita.”
Por Lucas Souza
