Celina Leão nega participação em negociações para compra do Banco Master pelo BRB

 


(Foto: Paulo H. Carvalho/Agência Brasília).

Governadora afirma que nunca participou das tratativas; mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro mencionam a então vice-governadora e geram nova controvérsia sobre a operação

A governadora do Distrito Federal e candidata à reeleição, Celina Leão (PP), negou ter participado das negociações envolvendo a tentativa de aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). A declaração veio após a divulgação, pela Folha de S.Paulo, de mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro nas quais ele menciona a então vice-governadora em conversas com o empresário Thiago Miranda.

Em nota, o Governo do Distrito Federal afirmou que “não é verdade que a governadora tenha participado de qualquer tipo de negociação” e sustentou que Celina havia manifestado posição contrária à operação ainda antes do avanço das investigações sobre o Banco Master.

Segundo o GDF, após o anúncio da intenção de compra do banco, em março de 2025, Celina, que ocupava o cargo de vice-governadora, se posicionou publicamente contra a operação. O governo também afirma que reportagens publicadas naquele período registraram a posição da então vice, que chegou a admitir a possibilidade de rever a operação caso assumisse o comando do Palácio do Buriti.

A controvérsia ganhou novo capítulo com a divulgação de mensagens de abril de 2025 atribuídas a Daniel Vorcaro. Segundo a reportagem da Folha, o ex-banqueiro teria afirmado que Celina participou das tratativas e interpretado a posição pública contrária da então vice-governadora como uma estratégia de proteção política.

As mensagens, porém, não demonstram, por si só, que Celina tenha participado diretamente das negociações. O próprio GDF destaca que não foram apresentadas mensagens trocadas diretamente entre a governadora e Vorcaro, nem registros de reuniões, ligações ou documentos que comprovem sua participação nas tratativas.

Em resposta, Celina reafirmou que nunca participou das negociações, não foi consultada sobre a aquisição e manteve posição contrária ao negócio.

Na nota divulgada sobre o caso, o governo afirma que as declarações atribuídas a Vorcaro representam a interpretação pessoal do ex-banqueiro sobre a atuação política de Celina.

“O que existe é Daniel Vorcaro, hoje investigado e preso, falando sobre ela para uma terceira pessoa também investigada e tentando interpretar as posições políticas dela”, afirma o comunicado do GDF.

O governo acrescenta que a ausência de comunicação direta ou de registros que demonstrem a participação da governadora é relevante para a versão apresentada por Celina.

A Folha também informou que Vorcaro fez outras referências a autoridades e agentes públicos em mensagens posteriormente analisadas pela Polícia Federal. Parte desse material integra investigações conduzidas no âmbito do caso Banco Master.

Operação entre BRB e Master é alvo de investigação

A tentativa de aquisição do Banco Master pelo BRB ocorreu durante a gestão do então governador Ibaneis Rocha (MDB), quando Paulo Henrique Costa presidia o banco público do Distrito Federal.

As investigações sobre as operações envolvendo as duas instituições avançaram nos últimos meses. Segundo informações divulgadas pela imprensa com base em apurações da Polícia Federal, o BRB adquiriu carteiras e ativos do Master que somavam valores bilionários. Parte desses ativos passou a ser considerada suspeita de irregularidades.

A Folha informou recentemente que o BRB afastou cinco funcionários no âmbito de investigações internas relacionadas às operações com o Master. Segundo a publicação, foram adquiridos R$ 21,9 bilhões em carteiras do banco, sendo que R$ 12,3 bilhões apresentariam indícios de irregularidades.

Em outra reportagem, a Folha informou que a Polícia Federal identificou aproximadamente R$ 12,2 bilhões em títulos considerados fraudulentos em operações relacionadas ao caso.

O caso também passou a gerar consequências financeiras para o BRB. O Governo do Distrito Federal busca viabilizar um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), com o objetivo de reforçar o caixa da instituição.

A negociação chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou manifestações do governo federal, do Banco Central e do FGC sobre o pedido.

Enquanto as investigações continuam, a participação de Celina Leão nas negociações de 2025 permanece como ponto de controvérsia: a governadora nega ter participado das tratativas, enquanto mensagens atribuídas a Vorcaro são apresentadas como parte da versão de que ela teria participado das discussões. Até o momento, as informações divulgadas não estabelecem, por si só, uma conclusão definitiva sobre essa alegação.

Voz Nacional • Por Lucas Souza

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