Governador rejeita estratégia que possa deslocar criminosos para estados vizinhos, mas declaração não apresenta medidas concretas para enfrentar facções que atuam no território baiano
O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), criticou uma proposta de combate ao crime organizado que, segundo ele, poderia apenas transferir criminosos de um estado para outro. Embora o argumento de uma atuação integrada entre as unidades da Federação tenha lógica, a declaração também levanta questionamentos sobre quais medidas concretas estão sendo adotadas pelo governo baiano para enfrentar as organizações criminosas que atuam dentro do próprio estado.
Ao comentar uma fala de um candidato à Presidência da República, Jerônimo afirmou que não pretende simplesmente “livrar” a Bahia do crime e deixar que estados vizinhos enfrentem as consequências.
“Não adianta eu livrar o povo da Bahia e dizer: ‘Olha, Goiás, Pernambuco, Sergipe’. Eu não posso tratar assim”, declarou.
O governador defendeu uma estratégia nacional de segurança pública e afirmou que é necessário ter um “conceito de nação” no enfrentamento ao crime organizado.
“Nós temos que ter um conceito de nação. Eu tenho um olhar da floresta”, completou.
Discurso nacional, problema estadual
A defesa de uma política nacional pode ser considerada necessária diante da atuação interestadual das facções criminosas. No entanto, o posicionamento de Jerônimo também abre espaço para uma cobrança direta ao governo da Bahia: quais são as ações efetivas para impedir o avanço das organizações criminosas no estado enquanto uma eventual estratégia nacional não sai do papel?
O problema da segurança pública na Bahia não depende apenas de uma articulação futura entre governos. A população que vive nas áreas afetadas pela criminalidade precisa de respostas imediatas, com policiamento, investigação, inteligência e ações capazes de enfraquecer as estruturas das facções.
Ao colocar o foco na necessidade de uma atuação nacional, o governador corre o risco de deixar em segundo plano a responsabilidade que cabe ao próprio Estado no enfrentamento da criminalidade dentro de seu território.
A discussão sobre evitar a migração de criminosos entre estados é importante, mas não pode servir como justificativa para uma atuação menos contundente. Combater o crime na Bahia e, ao mesmo tempo, cobrar uma estratégia nacional não são ações excludentes.
O desafio para o governo baiano, portanto, é transformar o discurso de integração em resultados concretos para a população. Enquanto isso não acontece, permanece a cobrança por respostas mais firmes diante da atuação das facções criminosas no estado.
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