Economistas e gestores de capital avaliam que a insegurança jurídica pode elevar o risco percebido por investidores e dificultar a redução dos juros no Brasil
A crise institucional envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) passou a ser acompanhada também pelo mercado financeiro como um fator de risco para a economia brasileira. Economistas e gestores de capital ouvidos pela Gazeta do Povo avaliam que o aumento da incerteza em torno das instituições pode afetar decisões de investimento e elevar o retorno exigido para aplicação de recursos no país.
A preocupação está relacionada principalmente à chamada insegurança jurídica, situação em que investidores percebem maior dificuldade para prever como regras, contratos e decisões judiciais poderão afetar seus negócios. Nesse cenário, projetos podem ser adiados e o capital pode exigir uma remuneração maior para permanecer no país.
Efeito sobre os juros
A preocupação ocorre em um momento de revisão das expectativas para a economia brasileira. Segundo dados citados pela Gazeta do Povo, a projeção do mercado para o crescimento do PIB em 2026 caiu de 1,93% para 1,89%, enquanto a expectativa de inflação subiu para 4,65%.
Para os analistas, uma eventual deterioração das expectativas pode dificultar o processo de redução da taxa básica de juros, já que o Banco Central precisa considerar não apenas o comportamento da inflação, mas também as condições financeiras e as expectativas dos agentes econômicos.
A lógica apontada pelos especialistas é que um ambiente de maior risco pode pressionar o câmbio e os prêmios exigidos pelos investidores. Caso esses fatores aumentem as pressões inflacionárias, o espaço para cortes mais rápidos dos juros pode ficar menor.
Investimentos e confiança
O impacto sobre os investimentos não significa que a crise institucional, isoladamente, determine o comportamento da economia. Crescimento, inflação, situação fiscal, juros internacionais e condições do mercado externo também influenciam as decisões de empresas e investidores.
Ainda assim, representantes do setor privado vêm manifestando preocupação com a segurança jurídica e a confiança nas instituições. Empresários ouvidos recentemente pela imprensa defenderam que o STF encontre mecanismos para superar a atual crise e reforçar a previsibilidade institucional.
O debate, portanto, ultrapassou o campo político e passou a envolver também uma questão econômica: quanto maior a percepção de risco e de imprevisibilidade, maior pode ser o custo exigido para investir no país.
Fonte dos dados: Gazeta do Povo
