A ampliação da educação em tempo integral no Distrito Federal tem transformado a rotina e o futuro de milhares de estudantes da rede pública. A mudança vai além da carga horária maior nas escolas: ela abre portas para novas experiências de aprendizagem, formação profissional e projetos de vida.
É o caso da estudante Juliana Dantas, de 16 anos, moradora do Cruzeiro Novo. No ano passado, ela deixou a rotina escolar de meio período e passou a estudar no Centro de Ensino Médio Integrado (Cemi) da região. Na nova escola, além das disciplinas tradicionais do ensino médio, Juliana também tem contato com programação e tecnologia, áreas que despertaram seu interesse profissional.
Com aulas que começam às 7h30 e seguem até as 17h30, os estudantes do Cemi concluem o ensino médio com uma dupla formação: o diploma regular e o curso técnico em Tecnologia da Informação. O modelo permite que os jovens saiam preparados tanto para o mercado de trabalho quanto para a continuidade dos estudos no ensino superior.
O impacto desse formato já aparece nos resultados. Diversos alunos da escola têm conquistado vagas em universidades públicas e também ingressado em instituições privadas por meio de programas de acesso ao ensino superior.
A experiência vivida por Juliana reflete uma tendência nacional. Dados da primeira etapa do Censo Escolar 2025 mostram que a educação em tempo integral cresceu em todas as etapas da educação básica nos últimos quatro anos. O avanço permitiu que o país alcançasse a meta prevista no Plano Nacional de Educação, que estabelecia atender pelo menos 25% dos estudantes da rede pública nessa modalidade.
No Distrito Federal, o crescimento também é evidente. Levantamento do Educacenso indica que o número de alunos matriculados em tempo integral passou de 46.702 em 2019 para 51.217 em 2024, um aumento de 9,7%. O resultado reflete a ampliação das políticas públicas voltadas à jornada ampliada nas escolas.
Para fortalecer esse modelo, o Governo do Distrito Federal também investiu na estrutura das unidades de ensino. Em 2024, foram aplicados R$ 15,5 milhões na manutenção das escolas de educação integral e outros R$ 7 milhões na aquisição de equipamentos tecnológicos, garantindo melhores condições de aprendizagem e ambientes pedagógicos mais modernos.
Dentro das escolas, o tempo ampliado permite atividades que vão além das disciplinas tradicionais. No Cemi, por exemplo, os alunos participam de iniciativas culturais, esportivas e ambientais, como a orquestra sinfônica, grupos de teatro e projetos de sustentabilidade, incluindo a manutenção de uma horta comunitária.
Essas iniciativas contribuem para fortalecer o vínculo dos estudantes com a escola, incentivar o trabalho em equipe e criar um ambiente mais seguro e acolhedor para os jovens.
Para muitos alunos, a educação integral representa também uma oportunidade de aproveitar melhor o tempo e ampliar horizontes. O estudante Lucas Tortoretti, de 15 anos, acredita que a escola oferece um ambiente mais produtivo para o dia a dia.
Entre os alunos que estão próximos de concluir o ensino médio, o planejamento para o futuro já começa a tomar forma. Sara Teixeira, de 17 anos, moradora de Ceilândia e estudante do terceiro ano, pretende continuar estudando após a formatura. Entre os planos estão cursar inglês e investir na área de estética, com o objetivo de abrir o próprio negócio.
Com a expansão da educação em tempo integral, o Distrito Federal fortalece uma política educacional que busca não apenas melhorar os indicadores de aprendizagem, mas também oferecer aos estudantes mais oportunidades para construir trajetórias profissionais e pessoais de sucesso.
