Desde 2021, quando a casa foi reaberta pelo GDF, foram prestados 40.340 atendimentos — entre acolhimento, suporte psicossocial, orientação jurídica e encaminhamento à rede de proteção — a 10.933 mulheres | Fotos: Tony Oliveira/Agência Brasília
Durante dez anos, Joana — nome fictício usado para preservar a identidade — viveu sob medo, ameaças e agressões dentro de casa. A rotina era marcada por violência física, psicológica e pelo isolamento imposto pelo companheiro. A virada em sua vida começou quando ela conseguiu chegar à Casa da Mulher Brasileira, em Ceilândia, um espaço criado justamente para acolher mulheres em situação de violência e ajudá-las a romper esse ciclo.
A unidade, gerida pela Secretaria da Mulher do Distrito Federal, tornou-se uma das principais portas de entrada da rede de proteção às vítimas. Desde a reabertura do espaço pelo Governo do Distrito Federal, em 2021, já foram realizados 40.340 atendimentos, beneficiando 10.933 mulheres com serviços que incluem acolhimento, suporte psicossocial, orientação jurídica e encaminhamento para outros programas de proteção.
Joana chegou ao local em 2022 após uma denúncia feita por um vizinho à Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher. A partir daí, começou um processo de reconstrução de vida que incluiu apoio psicológico, orientação jurídica e acesso a cursos de capacitação profissional.
A independência financeira foi um dos passos mais importantes nesse processo. Ao participar de cursos de cabeleireira, design de sobrancelhas e alongamento de unhas, ela conseguiu ingressar no mercado de trabalho e passar a sustentar a própria família. A autonomia econômica representou um marco para quem havia sido afastada do mercado de trabalho durante o relacionamento.
O suporte oferecido pela Casa da Mulher Brasileira vai além da capacitação profissional. No local, mulheres recebem acompanhamento psicológico para compreender e identificar situações de abuso, além de orientação sobre direitos, acesso a benefícios sociais e apoio jurídico para questões como pensão alimentícia e medidas protetivas.
A rede de proteção também envolve parcerias com órgãos de segurança pública, assistência social e justiça. Muitas vítimas passam a integrar programas de monitoramento e prevenção à violência doméstica, garantindo maior segurança durante o processo de rompimento com o agressor.
Inaugurada em Ceilândia em 2021, a Casa da Mulher Brasileira funciona 24 horas por dia e oferece atendimento integrado com serviços psicossociais, jurídicos e policiais. O espaço também conta com alojamento emergencial, encaminhamento para casas-abrigo e atendimento a crianças e adolescentes órfãos de feminicídio por meio de programas específicos de acolhimento.
Nos últimos anos, o número de atendimentos cresceu de forma significativa. Entre 2022 e 2024, a média anual era de pouco mais de mil mulheres atendidas. Em 2025, esse número saltou para 6.265 mulheres, totalizando 13.009 atendimentos ao longo do ano.
Entre os fatores que impulsionaram esse crescimento estão ações itinerantes realizadas em regiões como a Estrutural e o Parque da Vaquejada, além de parcerias com serviços sociais e iniciativas voltadas à saúde, autoestima e autonomia feminina.
A rede de atendimento do Distrito Federal também conta com Centros de Referência da Mulher Brasileira, instalados no Recanto das Emas, Sol Nascente/Pôr do Sol, São Sebastião e Sobradinho II. Essas unidades funcionam durante o dia e oferecem acolhimento, atendimento psicossocial e formação profissional.
Outro avanço previsto é a construção de uma nova Casa da Mulher Brasileira no Plano Piloto. O equipamento será instalado na quadra 903 da Asa Sul e terá como objetivo ampliar o atendimento humanizado, integrado e contínuo às mulheres em situação de violência em todo o Distrito Federal.
Casos de violência doméstica podem ser denunciados presencialmente ou pelos canais oficiais de atendimento, como o telefone 197 da Polícia Civil, 190 da Polícia Militar, 156 opção 6 do GDF, 180 da Central de Atendimento à Mulher e pela plataforma Maria da Penha Online.
