Outro patamar só no discurso: dentro de campo o Flamengo foi dominado pela própria incompetência
(Foto: Instagram)
A derrota do Clube de Regatas do Flamengo para o Club Atlético Lanús por 3 a 2, na final da Recopa Sul-Americana, na quinta-feira (26), no Estádio do Maracanã, não foi apenas um tropeço. Foi uma vergonha. Perder um título internacional dentro de casa, diante de mais de 60 mil torcedores, já seria grave por si só. Mas o pior veio depois: a coletiva em que o técnico Filipe Luís teve a coragem de dizer que o Flamengo jogou bem.
Dizer que o time jogou bem depois de perder uma final no Maracanã é simplesmente patético. É um retrato claro de um trabalho que, ao contrário do que tentam vender, não mostra evolução. O Flamengo pode até ter levantado taças em 2025, mas nunca apresentou um futebol compatível com o dinheiro que investe. É um elenco caríssimo jogando um futebol barato.
Já passou da hora de parar com o discurso conformista de que “o adversário também joga”. Claro que joga. Mas o Flamengo não gasta como um clube comum. O Flamengo não se vende como um clube comum. O Flamengo vive dizendo que está em “outro patamar”. Então que mostre esse tal patamar dentro de campo — porque, até agora, isso tem ficado só na conversa.
Contra o Lanús, o Flamengo até teve mais posse e tentou pressionar, mas foi um domínio vazio. Um time sem firmeza, sem intensidade e sem confiança. O que apareceu de verdade foram os velhos problemas: falhas grotescas na defesa e mais um gol de cabeça sofrido, algo que já virou rotina e mostra um claro retrocesso do sistema defensivo.
O goleiro Agustín Rossi voltou a falhar em jogo grande. Não é a primeira vez e provavelmente não será a última se nada mudar. Em decisões importantes, o desempenho irregular levanta uma suspeita cada vez mais evidente: falta preparo psicológico. Em momentos decisivos, o Flamengo parece um time nervoso e desorganizado.
No fim das contas, o Lanús venceu com justiça. Levou o jogo a sério, mostrou organização e jogou com vontade de ser campeão — coisa que o Flamengo claramente não demonstrou o tempo todo.
O mais revoltante é o abismo financeiro entre os clubes. Dois jogadores comprados pelo Clube de Regatas do Flamengo custam praticamente o valor de todo o elenco do Club Atlético Lanús. Dois reforços rubro-negros equivalem ao investimento de um time inteiro. Isso torna a derrota não apenas ruim , torna a situação absurda e escancara o tamanho do vexame.
Fica a pergunta inevitável: para que tanto investimento se o resultado são atuações pavorosas como essa? O Flamengo precisa entender que cobrança não é exagero é consequência. Quem se coloca como potência precisa jogar como potência.
Por enquanto, o “outro patamar” do Flamengo parece existir apenas na folha salarial. Dentro de campo, o que se viu no Maracanã foi um time caro, desorganizado e absolutamente incapável de corresponder ao tamanho do clube. Uma atuação digna de vaias e não de elogios em entrevista coletiva.

