Relatos que começam a emergir do Irã após uma restauração parcial das comunicações apontam para um cenário de extrema violência durante a repressão a protestos antigoverno registrados nos dias 8 e 9 de janeiro. Testemunhas e organizações independentes afirmam que a ação das forças de segurança pode ter provocado milhares de mortes, em um episódio descrito por civis como a “maior matança da história contemporânea do país”.
Segundo a emissora Iran International, o número de mortos temido chega a 12 mil pessoas, embora ainda não haja confirmação oficial devido ao bloqueio de informações imposto pelo regime.
Repressão com armas de grau militar
Com a liberação limitada de linhas telefônicas, começaram a circular mensagens de socorro enviadas por civis descrevendo uma repressão conduzida com armas de grau militar. As denúncias indicam que o Corpo de Guardas Revolucionários Islâmicos (IRGC) e a milícia Basij lideraram as operações, atirando contra manifestantes e promovendo prisões em massa.
Testemunhas afirmam que muitos manifestantes foram baleados nas ruas ou condenados à morte sem direito a julgamento justo, em processos sumários conduzidos pelas autoridades.
Hospitais em colapso e prisões lotadas
A situação nos hospitais é descrita como caótica. Um médico ouvido por canais internacionais relatou que a emergência onde trabalha está sobrecarregada, classificando o cenário como o pior que já presenciou em 38 anos de carreira. Há relatos de tiroteios intensos e uso de metralhadoras pesadas, o que teria elevado drasticamente o número de feridos graves.
Além das mortes, organizações de direitos humanos apontam que mais de 10.700 pessoas foram presas durante a repressão. Há ainda denúncias de que dezenas de detidos já têm execuções programadas para esta semana, aumentando o clima de temor entre familiares e ativistas.
Apagão informativo e intimidação
Para conter a circulação de informações, o governo iraniano teria promovido um apagão quase total da internet, além de silenciar a mídia doméstica. Jornalistas e testemunhas estariam sendo intimidados, enquanto autoridades confiscam pratos de satélite e imagens de câmeras de vigilância para impedir a divulgação de provas.
Com o bloqueio informativo ainda em vigor, a dimensão real da repressão permanece incerta. No entanto, os relatos que começam a vir à tona reforçam a preocupação da comunidade internacional diante de possíveis crimes em larga escala contra a população civil no Irã.
Fonte:cbsnews.com
