PT enfrenta resistência no DF e encontra dificuldade para romper teto eleitoral

Partido mantém uma base fiel, mas pesquisas mostram dificuldade para ampliar o eleitorado em um Distrito Federal onde a direita ganhou força nos últimos anos

O PT enfrenta no Distrito Federal um dos ambientes eleitorais mais desafiadores do país. Os números mais recentes mostram que o partido mantém uma base consolidada, mas encontra dificuldades para transformar esse eleitorado em uma força capaz de disputar a liderança nas principais eleições do DF.

Na pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira (29), Leandro Grass (PT) aparece com 23% das intenções de voto para o Governo do Distrito Federal, enquanto Celina Leão (PP) registra 39%. Em uma simulação de segundo turno entre os dois, Celina aparece com 54%, contra 31% de Grass. O levantamento ouviu 1.104 eleitores entre 25 e 28 de setembro, com margem de erro de três pontos percentuais. 

O resultado mostra que, mesmo sendo o principal nome do PT na disputa pelo Palácio do Buriti, Grass ainda enfrenta uma distância significativa em relação à primeira colocada.

Rejeição a Lula pesa sobre o partido

Um dos principais obstáculos para o PT no DF é a avaliação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Segundo o Datafolha divulgado em setembro, 56% dos eleitores do Distrito Federal desaprovam o trabalho de Lula, enquanto 39% aprovam. Na avaliação do governo, 49% consideram a administração ruim ou péssima, contra apenas 27% que classificam a gestão como ótima ou boa. 

A dificuldade fica ainda mais evidente porque a política local está fortemente conectada à disputa nacional.

O PT possui uma marca eleitoral consolidada, mas a rejeição ao presidente cria um obstáculo para candidatos do partido que precisam conquistar eleitores que não se identificam com Lula.

Um partido que não consegue transformar sua base em maioria

O desempenho de Grass ilustra esse problema.

Na pesquisa Datafolha divulgada em 24 de setembro, o petista tinha 23% no cenário sem José Roberto Arruda, enquanto Celina Leão aparecia com 42%. No segundo turno, a diferença também era expressiva: 53% para Celina contra 34% para Grass. 

Na rodada mais recente da Quaest, Grass avançou para 23%, mas Celina também manteve vantagem, com 39%.

O dado é importante porque mostra que o PT possui um eleitorado relevante, mas ainda não conseguiu transformá-lo em uma maioria eleitoral no DF.

O contraste com outras eleições

A dificuldade atual do PT fica ainda mais clara quando os resultados históricos são observados.

Em 2022, Lula venceu a eleição presidencial no país, mas perdeu no Distrito Federal para Jair Bolsonaro. O cenário de 2018 havia sido ainda mais desfavorável para o PT: Bolsonaro alcançou 69,99% dos votos válidos no segundo turno no DF, contra 30,01% de Fernando Haddad.

O comportamento eleitoral do DF mudou de forma significativa ao longo dos últimos anos. Lula já havia obtido ampla vantagem na capital federal em eleições anteriores, mas o crescimento da direita alterou o equilíbrio político local.

Isso significa que o problema do PT no DF não pode ser explicado apenas por uma rejeição histórica ao partido. Existe uma transformação no perfil eleitoral da região, especialmente depois de 2018.

Direita ocupa espaço deixado pelo PT

Outro fator é a capacidade dos partidos de direita de construir candidatos competitivos fora da estrutura tradicional do PT.

Na pesquisa Quaest mais recente, Celina lidera a corrida pelo governo, enquanto Michelle Bolsonaro aparece com 26% na primeira menção para o Senado e Bia Kicis, também do PL, registra 18%. Erika Kokay, do PT, aparece com 16%.

O quadro revela que o campo político associado à direita continua ocupando espaço importante entre os eleitores brasilienses.

Para o PT, isso representa um problema adicional: não basta preservar o eleitorado tradicional. O partido precisa conquistar eleitores independentes e setores que não possuem identificação ideológica com a esquerda.

PT ainda possui uma base, mas enfrenta um teto

Os números não indicam desaparecimento do PT no Distrito Federal. O partido continua tendo representação política, possui um eleitorado fiel e mantém nomes competitivos, como Leandro Grass e Erika Kokay.

O problema está justamente na capacidade de furar esse núcleo tradicional.

A eleição de 2026 mostra que o PT consegue chegar a uma parcela relevante do eleitorado, mas ainda encontra dificuldade para avançar sobre os eleitores que estão fora de sua base.

No caso de Grass, a diferença para Celina permanece significativa tanto no primeiro turno quanto nas simulações de segundo turno.

Um desafio que vai além de uma eleição

O cenário atual sugere que o PT enfrenta no DF uma combinação de fatores: desaprovação elevada de Lula, força eleitoral da direita, dificuldades para ampliar seu eleitorado e uma associação cada vez mais forte entre a disputa nacional e a eleição local.

O partido continua relevante, mas os números mostram que sua influência no Distrito Federal está longe de representar uma maioria eleitoral.

Para conquistar espaço maior no DF, o PT terá de ultrapassar um eleitorado tradicionalmente identificado com o partido e convencer uma parcela de eleitores que, nas últimas eleições, tem demonstrado preferência por candidatos de direita.

A questão central para o partido, portanto, não é apenas manter seus votos. É conseguir crescer onde hoje encontra maior resistência.

Voz Nacional • Por Lucas Souza

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