Uma disputa entre as gestoras Gauss Capital e ASA, de Alberto Safra, chegou à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e pode comprometer o funcionamento do Zaftra, apontado como o único fundo brasileiro dedicado a operar o mercado de eleições.
O impasse ocorre a poucos dias do primeiro turno e envolve aproximadamente R$ 220 milhões e 400 cotistas. A controvérsia surgiu após uma tentativa de mudança na gestão do fundo, aprovada pelos cotistas, mas que acabou travada pela ausência do ASA em uma das assembleias consideradas necessárias para concluir o processo.
Os cotistas aprovaram a substituição da gestão do ASA pela B.Side. No entanto, segundo o relato sobre o caso, o ASA não participou da votação do fundo principal, impedindo a conclusão da mudança e levando a disputa para a esfera regulatória.
Agora, a definição sobre o futuro da estrutura depende da análise da CVM.
Disputa começou após saída de executivo
O conflito ganhou força em junho, após a saída de Fábio Okumura, ex-sócio da Gauss que estava ligado ao ASA. A Gauss teria interpretado a saída como uma quebra do acordo existente entre as partes.
A disputa acabou atingindo diretamente o funcionamento do fundo em um momento considerado especialmente sensível, diante da proximidade do primeiro turno das eleições.
Um executivo envolvido no mercado chegou a alertar para o risco de o fundo não conseguir participar das operações relacionadas às eleições brasileiras.
“O fundo pode não operar a eleição do Brasil”, afirmou.
O ASA também tentou suspender as assembleias por meio de uma medida judicial. O pedido, entretanto, foi negado pela Justiça.
CVM passa a ter papel decisivo
Com o impasse sem solução entre as gestoras e a tentativa de interromper as assembleias rejeitada judicialmente, a discussão chegou à CVM.
A decisão do regulador poderá definir os próximos passos para a mudança de gestão e, consequentemente, o funcionamento do Zaftra às vésperas do primeiro turno.
O caso chama atenção pelo tamanho dos recursos envolvidos e pelo momento em que a disputa ocorre. Com R$ 220 milhões sob gestão e cerca de 400 cotistas, qualquer interrupção na estrutura do fundo pode ter impacto direto sobre suas operações.
Até que a questão seja solucionada, permanece a incerteza sobre a capacidade do Zaftra de operar normalmente durante o período eleitoral.
