O candidato do PSD à Presidência da República, Ronaldo Caiado, voltou a defender uma anistia geral, ampla e irrestrita para os envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023 e afirmou que, caso seja eleito, pretende encaminhar um projeto sobre o tema ao Congresso Nacional. A medida também incluiria o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A declaração foi feita na noite desta terça-feira (25), durante a sabatina promovida pelo Jornal Nacional, da TV Globo. Caiado afirmou que a proposta seria uma forma de reduzir a polarização política e promover uma pacificação no país.
“Jamais transigi das regras da democracia. Nunca contestei os resultados”, declarou o candidato. Em seguida, justificou sua posição: “Precisamos acabar com a polarização e pacificar o País”.
Caiado compara situação de Bolsonaro com Lula
Durante a entrevista, o candidato também citou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao defender sua proposta.
Caiado afirmou que o Supremo Tribunal Federal (STF) teria “anistiado” Lula ao permitir que o petista voltasse a disputar eleições em 2022, após as decisões que anularam as condenações do atual presidente.
A comparação foi questionada por especialistas e veículos de checagem. A Agência Lupa classificou como exagerada a comparação feita por Caiado entre a situação jurídica de Lula e uma eventual anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro.
As condenações de Lula foram anuladas por decisões judiciais que reconheceram questões relacionadas à competência da 13ª Vara Federal de Curitiba para julgar os processos. A anulação das condenações não corresponde tecnicamente a uma anistia.
Proposta envolve condenados pelo 8 de janeiro
A proposta apresentada por Caiado alcançaria pessoas condenadas por participação nos ataques às sedes dos Três Poderes, em Brasília, além de outros envolvidos nos episódios.
O candidato tem apresentado a anistia como uma medida de pacificação nacional e de redução da tensão entre os diferentes grupos políticos. A proposta, no entanto, depende de tramitação e aprovação pelo Congresso Nacional para entrar em vigor.
A defesa de uma anistia aos envolvidos no 8 de janeiro não é exclusiva de Caiado. O tema também aparece entre as propostas de outros candidatos que disputam a Presidência em 2026.
Segurança pública também foi tema da sabatina
Durante a entrevista, Caiado apresentou ainda propostas para o combate ao crime organizado e às facções criminosas. Entre as ideias está a criação de uma estrutura de cooperação policial entre países da América do Sul, chamada por ele de SulPol.
O candidato afirmou que a iniciativa teria como objetivo ampliar a integração entre as forças de segurança dos países da região no combate ao tráfico de drogas, armas e às organizações criminosas.
Caiado também defendeu maior utilização de tecnologia no combate ao crime e criticou a atuação do governo federal na área de segurança pública.
A sabatina fez parte da série de entrevistas da TV Globo com candidatos à Presidência. Caiado foi o segundo entrevistado, após Romeu Zema (Novo), que participou do programa na segunda-feira (24).
