Fotos: Matheus Borges / Agência Brasília
Bloco do Hospital de Apoio de Brasília vai concentrar diagnóstico, tratamento, pesquisa e atendimento especializado, ampliando a assistência a cerca de 150 mil pessoas que convivem com doenças raras no Distrito Federal
Novo centro para doenças raras começa a sair do papel no DF com investimento de R$ 36,9 milhões
O Governo do Distrito Federal deu um passo histórico para fortalecer a assistência especializada às pessoas com doenças raras. A governadora Celina Leão assinou, nesta sexta-feira (26), a ordem de serviço para o lançamento do edital de licitação que dará início à construção do novo Bloco de Doenças Raras do Hospital de Apoio de Brasília (HAB), localizado no Noroeste. O investimento previsto é de R$ 36,9 milhões.
A nova estrutura será um centro de excelência voltado ao diagnóstico, tratamento, pesquisa e acolhimento de pacientes e familiares, reunindo em um único espaço serviços que atualmente estão distribuídos por diferentes unidades da rede pública de saúde. A iniciativa busca ampliar a capacidade de atendimento, reduzir a espera por diagnósticos e oferecer um cuidado mais integrado e humanizado.
Durante a cerimônia, Celina Leão destacou o significado pessoal e social da obra, lembrando que os recursos foram destinados ainda quando exercia o mandato de deputada federal.
"Esse é um espaço pensado para acolher as famílias e oferecer esperança. Além de fortalecer a pesquisa e a produção de conhecimento, queremos garantir um atendimento digno e humanizado para quem enfrenta o desafio das doenças raras", afirmou a governadora.
Atualmente, estima-se que cerca de 13 milhões de brasileiros convivam com doenças raras, sendo aproximadamente 150 mil moradores do Distrito Federal.
Estrutura moderna e atendimento integrado
Com área construída de 4.005,72 metros quadrados, o novo bloco foi projetado para oferecer assistência completa, desde o diagnóstico precoce até o tratamento e o aconselhamento genético. A unidade contará com ambientes acessíveis e adaptados para crianças, pacientes crônicos, pessoas com deficiência e seus acompanhantes.
A contratação da obra ocorrerá por meio do regime de contratação integrada, no qual uma única empresa ficará responsável pela elaboração dos projetos, execução da construção, instalação dos equipamentos e entrega da unidade totalmente pronta para funcionamento.
A estrutura será distribuída em três pavimentos:
Pavimento semienterrado: consultórios e salas de infusão;
Pavimento térreo: laboratórios especializados, recepção de amostras, área administrativa e auditório;
Pavimento técnico: equipamentos e sistemas responsáveis pelo funcionamento da unidade.
Entre os serviços previstos estão genética clínica, biologia molecular, citogenética, oncogenética, neurogenética, tratamento de doenças metabólicas, triagem neonatal ampliada e atendimento multiprofissional especializado. O projeto também reserva espaços voltados à pesquisa científica, ensino e capacitação permanente dos profissionais da saúde.
Referência nacional
A Unidade de Genética do Hospital de Apoio de Brasília já é reconhecida pelo Ministério da Saúde como Serviço de Referência em Doenças Raras e atende pacientes de toda a região Centro-Oeste. Com o novo bloco, a expectativa é ampliar significativamente a capacidade de atendimento e consolidar o DF como referência nacional no setor.
O secretário de Saúde, Juracy Lacerda, destacou que a nova estrutura permitirá tornar mais eficiente toda a linha de cuidado dos pacientes, desde a confirmação do diagnóstico até o acompanhamento contínuo, além de impulsionar pesquisas capazes de contribuir para novos tratamentos e medicamentos.
O diretor do HAB, Alexandre Lira, ressaltou que o hospital já realiza o diagnóstico de 62 doenças por meio da triagem neonatal, considerada uma das maiores da América Latina. Segundo ele, o novo centro permitirá que, além do diagnóstico, todo o tratamento seja realizado na própria unidade, oferecendo mais conforto e qualidade de vida às famílias.
Atendimento que transforma vidas
O impacto da iniciativa já pode ser percebido por famílias que dependem da rede pública especializada. É o caso da dona de casa Naiane Aparecida, mãe de Levi, de três anos, diagnosticado com galactosemia clássica ainda nos primeiros dias de vida por meio do teste do pezinho.
Ela conta que encontrou no Hospital de Apoio não apenas o diagnóstico precoce, mas acompanhamento médico, suporte psicológico, realização de exames e acesso aos insumos necessários para o tratamento.
Para Naiane, a ampliação da estrutura representa mais qualidade no atendimento e esperança para centenas de outras famílias que enfrentam desafios semelhantes.
Novacap será responsável pela obra
A construção ficará sob responsabilidade da Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap), encarregada de conduzir o processo licitatório e executar o empreendimento.
Segundo o presidente da empresa, Fernando Leite, a implantação do Centro de Referência em Doenças Raras atende uma reivindicação antiga da população e representa uma conquista histórica para a saúde pública do Distrito Federal.
Novo equipamento amplia exames
Durante a agenda no Hospital de Apoio de Brasília, a governadora também inaugurou a nova sala de densitometria óssea da unidade.
O equipamento permitirá ampliar o diagnóstico precoce da osteoporose e de doenças metabólicas, reduzindo a fila de espera por exames e fortalecendo o atendimento tanto para moradores do Distrito Federal quanto da região do Entorno.
A expectativa é que o novo aparelho contribua para a prevenção de fraturas, especialmente entre a população idosa, promovendo mais qualidade de vida e ampliando o acesso a exames especializados na rede pública.
