Diabetes exige atenção aos primeiros sinais para evitar amputações e outras complicações graves

Diagnóstico precoce, controle da glicemia e cuidados diários com os pés são fundamentais para reduzir riscos e preservar a qualidade de vida de pessoas com diabetes, Foto: Matheus Oliveira/Agência Saúde-DF


Ressecamento dos pés, perda de sensibilidade e feridas de difícil cicatrização podem indicar o desenvolvimento do pé diabético, principal causa de amputações de membros inferiores no Brasil

O diabetes mellitus, doença que compromete a produção ou a ação da insulina no organismo, vai muito além do controle da glicemia. Quando não diagnosticado ou tratado adequadamente, pode desencadear uma série de complicações graves, entre elas doenças cardiovasculares, neuropatias e a síndrome do pé diabético, considerada hoje a principal responsável por amputações de membros inferiores no Brasil.

A condição é resultado dos altos níveis de glicose no sangue, que comprometem gradativamente a circulação sanguínea e o funcionamento dos nervos, principalmente nas extremidades do corpo. Com isso, pequenas lesões podem evoluir rapidamente para infecções graves, úlceras e necroses, tornando necessária, em muitos casos, a amputação do membro afetado.

Dados do Ministério da Saúde apontam que aproximadamente 85% das amputações de membros inferiores estão relacionadas ao pé diabético, um cenário que reforça a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento contínuo dos pacientes.

Diabetes tipo 2 concentra maior parte dos casos

A maior incidência das complicações ocorre entre pessoas com diabetes tipo 2, doença que costuma se desenvolver lentamente ao longo de vários anos e está diretamente associada a fatores como sedentarismo, excesso de peso, alimentação inadequada e hipertensão arterial.

Como a evolução é silenciosa, muitos pacientes só descobrem a doença quando ela já provocou danos importantes ao organismo. Em muitos casos, o diabetes permanece sem diagnóstico por anos, favorecendo o aparecimento das complicações.

Ressecamento dos pés pode ser o primeiro alerta

Entre os primeiros sinais de comprometimento está o ressecamento persistente dos pés, conhecido como xerodermia. O sintoma indica alterações nas fibras nervosas responsáveis pela produção de suor e oleosidade da pele, favorecendo o surgimento de rachaduras profundas que podem servir como porta de entrada para infecções.

Outro sinal importante é a perda gradual da sensibilidade nos pés e nas mãos. Inicialmente, o paciente deixa de perceber pequenos incômodos, como uma pedra dentro do sapato ou uma dobra na palmilha. Com a progressão da neuropatia, também perde a capacidade de sentir dor, pressão, vibração e até diferenças de temperatura.

Essa alteração aumenta significativamente o risco de acidentes domésticos. Queimaduras, cortes e outros traumas podem passar despercebidos, agravando ainda mais as lesões e dificultando o tratamento.

Além disso, procedimentos aparentemente simples, como a retirada de calos sem os cuidados adequados ou realizada por pessoas sem capacitação, podem desencadear infecções graves e acelerar a necessidade de amputação.

Tratamento exige acompanhamento permanente

Embora não tenha cura, a síndrome do pé diabético pode ser controlada com acompanhamento especializado, controle rigoroso da glicemia e cuidados diários com os pés.

O monitoramento frequente permite identificar precocemente alterações na circulação e na sensibilidade, reduzindo significativamente o risco de complicações graves e preservando a qualidade de vida dos pacientes.

História reforça importância da prevenção

A trajetória da aposentada Maura Aleixo, de 77 anos, ilustra os impactos que o diabetes pode causar ao longo da vida. Diagnosticada há mais de quatro décadas, ela convive com as complicações da doença e realiza tratamento contínuo para controlar as lesões provocadas pelo pé diabético.

Ao longo dos anos, enfrentou diversas infecções e, após uma lesão que evoluiu rapidamente, precisou amputar a perna direita abaixo do joelho. Atualmente utiliza prótese ortopédica e segue em acompanhamento especializado para evitar novas complicações.

O caso evidencia a importância do diagnóstico precoce, da prevenção e do cuidado permanente com os pés, especialmente entre pessoas que convivem com o diabetes. Pequenas alterações, quando identificadas rapidamente, podem fazer toda a diferença na preservação da mobilidade, da autonomia e da qualidade de vida.

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