O projeto de cães-guia do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF) avança rapidamente com o objetivo de ampliar a proteção, a segurança e a autonomia de pessoas cegas ou com baixa visão. A expectativa é que, a partir de 2027, a corporação entregue cerca de 20 animais por ano, com filhotes passando por uma etapa essencial de socialização junto a famílias voluntárias antes do treinamento técnico.
Em outubro, três novos filhotes nasceram da cadela Mila, após um parto complicado, e agora crescem no canil reformado da corporação, que oferece estrutura adequada, conforto, higiene e estímulos necessários ao desenvolvimento. Os filhotes permanecem com as famílias por aproximadamente dez meses, período fundamental para que aprendam a lidar com ambientes externos, diferentes pessoas e rotinas variadas, preparando-os para o trabalho de cão-guia.
Atualmente, dez cães estão em socialização, entre eles pastores-alemães, um golden retriever e um labrador. As famílias que participam do programa recebem orientação completa e não arcando com os principais custos, como ração mensal e acompanhamento veterinário, podendo ainda receber outro filhote após a devolução. O projeto incorpora o uso do pastor-alemão, pouco comum como cão-guia no Brasil, mas com histórico de sucesso em outros países.
Para pessoas com deficiência visual, os cães-guia representam muito mais do que apoio à locomoção. Eles garantem segurança, aumentam a autonomia e promovem inclusão social, criando oportunidades de interação que a bengala sozinha não proporciona. O programa já beneficiou pessoas como o analista de qualidade Esio Cleber de Oliveira Júnior, que recebeu seu cão em 2021, após anos na fila de espera, destacando a importância do vínculo e da transformação que o animal proporciona na vida diária.
Após a socialização, os cães retornam ao canil para iniciar o treinamento técnico, que inclui obediência, adaptação ao espaço urbano e atividades práticas para garantir a segurança do usuário. Para ampliar a capacitação, o CBMDF lançará em fevereiro um curso próprio de formação de treinadores, com duração de dois anos, que atenderá tanto militares quanto civis.
O projeto também está expandindo sua atuação para escolas cívico-militares do DF, oferecendo suporte a crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) em salas de recursos, promovendo interação social e acolhimento afetivo. A iniciativa reforça o compromisso do CBMDF em desenvolver soluções inclusivas e preparadas para diferentes necessidades, garantindo excelência na entrega de cães-guia e o fortalecimento de vínculos entre os animais, as famílias e a comunidade.
Fonte: agenciabrasilia.df.gov.br
