O Japão planeja instalar mísseis terra-ar de médio alcance na ilha de Yonaguni, localizada a apenas 110 km a leste de Taiwan. Segundo o ministro da Defesa, Shinjiro Koizumi, a medida visa “diminuir a probabilidade de um ataque armado” contra o Japão. Ele argumenta que, apesar das críticas, esse reforço militar não vai aumentar as tensões na região.
Contexto estratégico
A ilha Yonaguni faz parte das ilhas de Ryukyu, uma cadeia estratégica para o Japão.
O sistema de defesa que será instalado é o Type-03 Chu-SAM, um míssil superfície-ar com alcance de até ~50 km para interceptar aeronaves e mísseis de cruzeiro.
A implantação faz parte de um esforço maior de Tóquio para reforçar sua cadeia de ilhas ao sul (Nansei) dado o aumento das preocupações sobre o poder militar da China.
Além disso, o Japão planeja modernizar seus mísseis antinavio: na ilha de Kyushu, haverá mísseis com alcance de até 1.000 km, capazes de atingir alvos na zona do Estreito de Taiwan e até em partes da China continental.
Cabe registrar que o Japão também aprovou um orçamento de Defesa recorde, reforçando suas capacidades militares frente a ameaças regionais.
Em paralelo, o Japão e os EUA realizaram manobras conjuntas robustas (“Resolute Dragon 2025”) para treinar a defesa de ilhas remotas.
Reações e críticas
Beijing reagiu com forte condenação. O governo chinês classificou a proposta como “extremamente perigosa”, alertando para a criação de tensões militares e possíveis confrontos.
Analistas chineses afirmam que o Japão está se afastando de sua tradição de “autodefesa exclusiva” e se alinhando a uma postura mais agressiva, especialmente em parceria com os EUA.
Por outro lado, autoridades japonesas dizem que há diálogo com a população local da ilha e que explicarão as medidas para os moradores de Yonaguni.
Riscos e implicações
A militarização de Yonaguni pode tornar a ilha um alvo em caso de conflito envolvendo Taiwan, dado seu posicionamento estratégico.
A presença desses mísseis reforça o papel do Japão na “primeira cadeia de ilhas” no Indo-Pacífico, o que pode complicar ainda mais o equilíbrio militar entre China, Japão e EUA.
Ao mesmo tempo, a medida pode servir como dissuasão: ao mostrar uma defesa mais robusta, o Japão busca elevar o custo para qualquer agressão contra ele ou potencial conflito envolvendo Taiwan.
Possível impacto geopolítico
Se implementado, o plano pode fortalecer a percepção de que o Japão está assumindo um papel mais ativo na segurança regional, especialmente no contexto das tensões sino-taiwanesas.
Isso pode acelerar debates entre aliados sobre estratégias de contingência em um possível conflito no Estreito de Taiwan.
Por fim, o movimento pode provocar retaliações diplomáticas ou mesmo militares de Beijing, elevando o risco de escalada.
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